Trabalhadoras Argentinas apresentam candidatas lutadoras nas eleições

Candidatas da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores pelo Socialismo
Reprodução

Esta semana, Cristina Kirchner venceu as eleições na Argentina, país que viveu um rico processo revolucionário no início desta década. No período próximo ao processo eleitoral, aconteceu a décima segunda edição do tradicional Encontro Nacional de Mulheres argentinas. A Frente Operária e Socialista (FOS), sessão da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), participou do evento, levando uma alternativa classista e de luta para as mulheres trabalhadoras. A FOS distribuiu um panfleto apresentando candidatas mulheres e trabalhadoras que concorreram pela lista 135 – segundo o sistema eleitoral argentino -, formada pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores pelo Socialismo, bloco do qual a FOS fez parte. Abaixo, publicamos o texto do panfleto, que também desmascara as políticas das duas principais candidatas.

XXII Encontro Nacional da Mulher

O gênero nos une, a classe nos divide
Este ano, aconteceram muitas coisas em nosso país. A repressão aos trabalhadores que lutam, resultando no assassinato do companheiro Fuentealba, a gendarmeria nas escolas e nas ruas da província de Santa Cruz, as lutas por salário e melhores condições de trabalho que são recorrentes no país, a luta do povo de Gualeguaychú contra a instalação das fábricas de pasta de celulose, a inflação, a insegurança, a violência nas ruas e nas próprias casas, a corrupção e poderíamos seguir com uma lista interminável.

Este ano, porém, além de tudo, é um ano eleitoral que tem suas características. Dois dos principais partidos apresentam mulheres como candidatas a presidente. Um é a Frente para a Vitória, com Cristina Kirchner, e outro é o ARI, com Lilita Carrió. Neste ponto, queremos nos deter, porque, talvez, muitas companheiras estejam pensando que, por serem mulheres, elas vão tratar de resolver ou responder aos problemas que sofremos, pois os vivem na própria carne.

Acreditamos que não é assim. Por quê? Porque apesar de pertencermos ao mesmo “gênero”, palavra que se utiliza muito nesses tempos, elas não têm os mesmos problemas que as mulheres pobres e trabalhadoras.

Para começar, com o último temporal, certamente não voaram os telhados de suas casas, nem se inundaram suas moradias, nem sequer devem ter tido problema com seus carros por causa do granizo, porque os trocam por outros e pronto. Nunca tiveram de fazer abortos em lugares sem condições médicas e higiênicas, porque pagam – e muito – para serem bem atendidas. Menos ainda se preocuparam com o preço da batata ou do tomate, ou com o salário que não chega!

Estas candidatas, por mais que falem, encham a boca e até chorem pelos direitos humanos e pela “memória” contra a repressão do governo militar, na hora de ativar essa memória para que tudo isso não volte a acontecer, não somente se “esquecem” como permitem e promovem, junto com o governo, a repressão aos trabalhadores e aos que lutam. Avalizam a Lei Antiterrorista que pediu Bush para justificar a perseguição aos lutadores e a anulação da dupla indenização para facilitar as demissões. Fazem isso porque estão unidas a serviço dos empresários, dos capitalistas e de seus interesses.

Senão, vejamos alguns dados que saíram há pouco nos meios de comunicação. Para financiar a campanha eleitoral de seu partido, Cristina organizou uma janta no Sheraton Hotel na qual os comensais deviam pagar de 1.000 a 5.000 pesos segundo pessoas próximas da anfitriã. Salta à vista que nós, mulheres pobres e trabalhadoras, não estávamos convidadas. Isso deixa claro para quem governará Cristina: para os que pagaram esse dinheiro e não para os que dela necessitam.

Cristina não começou sua campanha eleitoral nas vilas operárias e pobres. A começou no exterior, perguntando ao imperialismo quais eram suas exigências para cumpri-las. Por isso, vai aumentar as tarifas, continuará com os milionários subsídios às empresas privatizadas, com o saque do petróleo e dos recursos naturais e acumulando superávit para garantir as inversões às multinacionais e pagar a fraudulenta dívida externa.

Sabem quanto foi gasto nestas viagens? Na Áustria, pagou 4.100 euros por dia e por pessoa num hotel caro. Sim, é isso mesmo, cerca de 16.000 pesos! Se multiplicarmos pelas 15 pessoas de sua comitiva, quantas coisas poderíamos fazer com este dinheiro para viver melhor?

Com Lilita, não é diferente: foi declarada “pessoas não grata” pelos assembleístas de Gualeguaychú por estar contra os que lutam em defesa do meio ambiente contra as multinacionais produtoras de pasta de celulose.

Alguns querem nos convencer de que, como somos mulheres e pertencemos ao mesmo gênero, estamos – ou devemos estar – unidas a elas e a outras candidatas mulheres dos partidos que defendem os mesmos interesses que Cristina ou Lilita. Nós dizemos que apenas o gênero nos une a estas candidatas. Todo o resto nos separa. Porque estamos em duas trincheiras diferentes, em duas classes distintas.

Elas, Cristina, Carrió e outras, pertencem à classe dos patrões, dos empresários, dos capitalistas, dos que vivem de nosso trabalho. Nós, as que trabalhamos nas fábricas, nas escolas, nos hospitais, as que vivemos na pobreza, as que temos de lutar para conseguir um salário e condições dignas de trabalho, estamos em outra trincheira, a da classe trabalhadora.

Por isso, hoje neste encontro que se realiza num ano eleitoral, afirmamos que o problema das mulheres trabalhadoras vamos resolver lutando juntas como mulheres, mas também com o resto dos trabalhadores e do povo.

Propomos, nestas eleições, não presentear nosso voto às que vão governar para os patrões. Votem nas companheiras que lutam junto a nós por melhor educação e saúde, por salários dignos, para melhorar nossas condições de vida e de nossos filhos e famílias. Votem nas candidatas e candidatos operários, socialistas e lutadores da única Frente de Esquerda que se apresenta nestas eleições.

Aqui, apresentamos algumas das companheiras lutadoras que concorrem como candidatas na lista 135 da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores pelo Socialismo: Monserrat “Tata” Gayone, Bettina Peveri, Silvia del Carmen Martín, Rita Strasberg, María del Carmen Pogliano, Silvia Escobar, Nora Butto, Beatriz Montalto, Juana Beatriz Lavigna, Graciela Driollet, Luciana Danquis, Graciela D´Cesare, Carolina De Filipi, Carmen Bitar. Lutadoras, docentes, líderes comunitárias e estudantes!