Submetrópole: negócios do Brasil na Bolívia

A Bolívia é um dos países mais colonizados da América Latina. Cerca de 75% de seu PIB (soma das suas riquezas no ano) está em mãos estrangeiras. Desses, 18% estão em mãos brasileiras. Mas o que mais assusta não é essa porcentagem, e sim o fato de que o Brasil hoje praticamente controla dois dos principais produtos de exportação boliviana: o gás e a soja.

Na área do gás, a maior multinacional do país é a Petrobras, que já investiu um bilhão de dólares. Tem acordos com petroleiras americanas e explora os dois maiores
poços de gás e uma das maiores refinarias da Bolívia, além de controlar 20% da rede de postos de gasolina.

Outro dos principais produtos de exportação da Bolívia, a soja, de boliviana não tem quase nada: 35% da produção está nas mãos de fazendeiros brasileiros. São cerca de 200 famílias do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná que cultivam na região de Santa Cruz 350 mil hectares de soja por ano, atraídos pelo baixo preço da terra (em média seis vezes menos que no Brasil).

O papel de submetrópole, a serviço do imperialismo, contudo, na Bolívia vai além. Quase todas as estradas bolivianas estão nas mãos de construtoras brasileiras, entre elas Queiróz Galvão, Odebrecht, Camargo Corrêa e ARG. Juntas, têm contratos da ordem de US$ 300 milhões.

O sistema financeiro também tem forte controle brasileiro, o Banco do Brasil está na Bolívia desde os anos 60 e detém várias agências pelo país.

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