Suape: lucro para a patronal e exploração para os trabalhadores

Operários da construção civil dão exemplo de resistência e lutaTodo movimento sindical comprometido com a luta dos trabalhadores precisa marcar a data de 9 de fevereiro de 2011. Nesse dia, operários da construção civil na obra da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foram recebidos à bala durante uma assembleia. O operário Tiago Ramos de Souza levou um tiro no rosto e ficou em estado grave. O acusado de atirar contra os trabalhadores foi um vigilante do próprio sindicato, o Sintepav.

Na semana anterior, operários que trabalham nas obras da petroquímica foram duramente reprimidos enquanto protestavam. Após um incidente que causou o incêndio no alojamento dos trabalhadores, a patronal e o governo Eduardo Campos (PSB) não só demitram e mandaram prender os ativistas, mas também expulsaram o restante dos operários.

Uma greve vitoriosa
A paralisação dos canteiros de obra começou no dia 17 de fevereiro com os trabalhadores do consórcio CONEST, formado pelas construtoras Odebrecht e OAS. Dos 13 pontos de reivindicação, 11 foram aceitos pela patronal, mas os trabalhadores estavam decididos a ir até o fim nesta luta. Não abriram mão do reajuste no valor da cesta básica de R$ 80 para R$ 160 e do pagamento de 100% das horas-extras aos sábados. Em março, a mobilização cresceu e os demais operários aderiram à greve.

Quase 34 mil trabalhadores de 29 empresas cruzaram os braços. Isso afetou a construção da Refinaria Abreu e Lima, da Petroquímica Suape e a conclusão das obras do Estaleiro Atlântico Sul e do porto.

No dia 30 de março, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a concessão dessas duas últimas exigências ainda pendentes e as estenderam para os trabalhadores da construção civil em Suape. Entretanto, julgou a greve ilegal e isso permite que a patronal faça o desconto dos dias parados. Com isso, a categoria voltou ao trabalho sob a condição de não serem descontados os dias de imediato. A negociação agora entre a patronal e os trabalhadores é o abono dos dias parados. Apesar desse impasse, a greve em Suape foi vitoriosa. Uma verdadeira demonstração de resistência. “O mais importante desse movimento em Suape foi a unidade da categoria e a consolidação da organização de base. Isso tem que continuar, pois as comissões de base são o principal instrumento para a mobilização dos trabalhadores”, afirmou Helio Cabral, representante da CSP-Conlutas em Pernambuco.

A luta agora é pelo não desconto/compensação dos dias parados que a patronal quer impor a partir da “abusividade” definida pelo TRT de PE, como se abusiva não fosse a exploração dos patrões sobre os trabalhadores.

Post author PSTU-PE, especial para o Opinião Socialista
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