Servidores de Teresina desafiam Justiça e decidem continuar greve

Assembléia no Teatro de Arena

Vereadores entram em buraco pela parede ou disfarçados para aprovar ataquesO juiz Sebastião Ribeiro Martins, atendendo a pedido da prefeitura de Teresina (PI), expediu liminar nesta terça-feira, 17, obrigando o retorno imediato dos mais de 9 mil servidores que aderiram à greve deflagrada desde o dia 9 de maio, sob pena de multa de R$ 5 mil a ser paga pelo Sindicato dos Servidores Municiapais (Sindserm), por cada dia de descumprimento da decisão.

Os trabalhadores, no entanto, em assembléia geral na tarde de quarta-feira, no Teatro de Arena, Centro de cidade, decidiram continuar o movimento que se fortaleceu com a adesão da categoria médica, no início da semana. Os grevistas deliberaram ainda por montar acampamento em frente ao Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura de Teresina, com o objetivo de forçar o prefeito Sílvio Mendes (PSDB) a abrir um canal de negociação com a categoria, que reivindica 71% de reposição, referentes às perdas desde 1996. O prefeito tem feito ameaça de corte de pontos e e também anunciou pela imprensa que vai contratar bolsistas para assumirem o trabalho dos grevistas. Tal anúncio é o reconhecimento por parte da prefeitura de que a greve dos servidores continua forte, mesmo com a liminar do juiz que exigiu a suspensão do movimento.

A decisão do juiz é fruto de uma ação cautelar, que teria o objetivo de suspender a greve até que ela seja julgada quanto à sua legalidade ou
ilegalidade, em outra ação que corre na Justiça.

Como ratos, vereadores entram na Câmara Municipal e aprovam arrocho
Na tarde de terça-feira, a Câmara Municipal aprovou o “reajuste“ de 1,5% ao funcionalismo, quando as perdas da categoria passam dos 71%. Devido às mobilizações da categoria, quatro sessões haviam sido suspensas, impedindo a votação do projeto que legaliza o arrocho salarial contra o funcionalismo. Como não conseguiam entrar pela porta da frente da Câmara, devido aos protestos dos servidores, os vereadores da base de apoio ao prefeito só tiveram acesso ao plenário através de um buraco feito na parede de uma das lojas do centro comercial, entrando pelos fundos dó prédio. Parte dos vereadores também entraram na Câmara utilizando disfarçados de policiais militares.

Mesmo com a aprovação do projeto, os servidores municipais decidiram continuar a luta. A categoria aposta na mobilização para que o prefeito de Teresina envie novo projeto à Câmara de Teresina, repondo as perdas salariais que arrocham o funcionalismo.