Servidores de Divinópolis decidem entre luta e conciliação

Mais uma disputa sindical reflete o embate nacional entre duas concepções distintas de como organizar os trabalhadores. Em Divinópolis, cidade do centro-oeste de Minas Gerais, acontecem nos dias 21 e 22 de fevereiro as eleições para a nova diretoria do SINTRAM – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais.

São 6.500 trabalhadores aptos a votar. Concorrem três chapas: 1 e 2 são compostas por atuais membros da diretoria e dissidentes, enquanto que a chapa 3, “Unidos pra mudar”, é a única opção conseqüente para os trabalhadores da região. Entre as propostas, estão a defesa de um Plano de Carreira, Cargos e Salários que recomponha as perdas salariais, a luta pela manutenção dos direitos e contra as reformas dos governos municipal, estadual e nacional. Além disso, a chapa reivindica a Conlutas como alternativa de direção em oposição à CUT, entidade defendida pelos demais concorrentes.

A categoria já acumula oito anos sem reajuste e tem mostrado disposição de luta. Em 2004, foi realizada uma greve de 45 dias que, devido ao atrelamento da direção do sindicato à prefeitura, foi derrotada e não resultou em conquistas. Essa política criminosa, tão comum à maioria das direções sindicais no país, tem sido reconhecida e repudiada pelos trabalhadores. Apesar das dificuldades de financiamento da chapa, a receptividade à campanha tem sido boa. “A categoria está cansada do governismo do sindicato, que só tem resultado em prejuízo aos servidores. Por isso, acreditamos que a ‘Unidos pra mudar’ tem reais condições de ganhar as eleições e imprimir um outro caminho ao SINTRAM, de luta”, declarou Boaventura Mendes da Cruz, integrante da Conlutas estadual.