Seminário relembra papel da classe operária na luta contra a ditadura

Mesa do debate realizado na Alesp
Alesp

Participantes aprovam moção contra declarações de clubes militares em defesa do golpe de 1964Nesse dia 4 de abril a Comissão Estadual da Verdade de São Paulo realizou o seminário “Trabalhadores que resistiram à ditadura: Qual o futuro dessa memória?”, que debateu a perseguição da ditadura militar às entidades e ativistas sindicais. O evento fez parte da Semana Nacional dos Direitos Humanos que, na semana do aniversário de 49 anos do golpe, relembrou os crimes cometidos pelo regime militar no país.

Estiveram presentes, além da CSP-Conlutas, centrais como a CUT, UGT, Força Sindical, CTB, e representantes do Projeto Memória da Oposição Metalúrgica de São Paulo, Associação de Metalúrgicos Anistiados e Aposentados do ABC, Intersindical e a ANAP (Associação Nacional de Anistiados e Aposentados).

O seminário, presidido pelo deputado estadual Adriano Diogo (PT), enfatizou a importância do resgate histórico do papel da classe operária na luta contra a ditadura militar. Para o membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, o regime militar foi um golpe contra os trabalhadores e teve um caráter de classe. “A ditadura foi apoiada pela maioria dos empresários que se beneficiaram do golpe, pois calava os trabalhadores e impunha o arrocho dos salários, além de também ser apoiado pela CIA e pelo governo americano. Tais fatos precisam ser denunciados”, destacou.

Macha, que também integra a Comissão dos Presos e Perseguidos Políticos da Ex-Convergência Socialista, enfatizou a cumplicidade das grandes empresas à ditadura e relatou que a empresa onde trabalhou também enviou documentos ao Dops. “Essas informações facilitaram perseguições, repressões, tortura e morte”, declarou Prates. Ele também protestou contra a impunidade aos torturadores e assassinos. “O Brasil é o único país onde os que prenderam, torturaram e mataram continuam soltos”, asseverou.

Além dos eventos e atividades que relembram a ditadura e a perseguição à classe operária, Mancha também está envolvido com as atividades de memória da ex-Convergência Socialista. “Estamos realizando uma série de debates e atividades a fim de recuperar a memória do papel da luta da classe operária e também e também o papel que a Convergência Socialista desempenhou nesse processo“, salienta Mancha.

Ao final, os participantes do seminário aprovaram uma moção em repúdio às declarações dos clubes militares divulgadas no último dia 30 de março e que defendiam o golpe de 1964. No próximo dia 15 de abril ocorre uma reunião da Comissão Nacional da Verdade com representantes das centrais sindicais.

*Com informações da Alesp e da CSP-Conlutas