Scania: Representante eleito com 73% dos votos derrota manobras da CUT e da empresa

No dia 13 de outubro, foi eleito para representar os trabalhadores da Scânia, em São Bernardo do Campo, Linhares Nóbrega, o Chicão do Almoxarifado. Foram 1816 votos válidos, dos quais 1325 foram para o companheiro. Esta votação impactante foi expressão de sete meses de luta, inclusive judicial, contra as manobras do Sindicato e da empresa que tentaram de todas as formas evitar que o companheiro se candidatasse.

Linhares é um companheiro combativo de muita tradição entre os Metalúrgicos do ABC, há mais de 20 anos luta em defesa dos direitos e por mais conquistas para os trabalhadores. Há alguns anos luta também contra a parceria do Sindicato dos Metalúrgicos com os patrões e por isso estava sendo impedido pelo sindicato e pela empresa de concorrer às eleições do SUR (Sistema Único de Representação), representação de base na Scânia, como cipeiro.

Foram muitas as manobras para que Linhares não se elegesse: Na eleição do Sindicato, que se dá por chapa, o companheiro não aceitou fazer parte da chapa da CUT, e pretendia se reeleger para a CIPA, cargo que ocupa ha anos. Mas na organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, elege-se o sindicato na fábrica, são os chamados CSEs (Comitê Sindical de Empresa) e este indica qual dos membros eleitos será da CIPA. Ou seja, se você não está com eles, fica impedido de representar os trabalhadores. Dessa forma quando abriram as eleições da cipa alegaram que a vaga só seria aberta para o setor administrativo, por tanto o companheiro não poderia concorrer. Daí por diante foram sete meses de briga judicial até que o Juiz determinou que as eleições da CIPA deveriam acontecer em toda a fábrica e que todos, inclusive Linhares, poderia se candidatar.

Este episódio é mais uma vitória dos trabalhadores, contra a tentativa da CUT de restringir a democracia nos sindicatos para melhor pactuar com os governos e empresa. Devemos ficar muito atentos, pois este sindicato apresentou um projeto de lei, com apoio do governo e da FIESP, para expandir esta forma de organização para todo o país. Eles dizem que este projeto é para democratizar a estrutura sindical no Brasil, mas na prática, como bem mostra este fato é uma ditadura, que impede a legítima disputa de propostas na representação. Os heróicos companheiros que seguem no campo da luta dos trabalhadores, estão de parabéns, por mais esta vitória.