Romper com o Imperialismo: o exemplo da luta contra a Alca

O controle das Forças Armadas da Colômbia pelo Exército norte-americano e a dolarização da economia do Equador são sinais claros do que está por vir. A decadência da Argentina indica o futuro da América Latina caso o imperialismo consiga impor a Alca.

A burguesia latino-americana, a brasileira incluída, apóia a Alca. Prefere se tornar gerente do imperialismo a realizar um enfrentamento sério em defesa da soberania nacional ou do mercado interno. Enganam-se os que esperam uma unidade contra Alca com setores burgueses ‘nacionalistas’. As divergências destes com o projeto do imperialismo são de ritmo, pontuais e não de oposição frontal.

Não é possível uma ‘meia’ ruptura
Tampouco existe espaço para ‘meia’ ruptura. No Brasil, a direção do PT posa de anti-neoliberal, mas defende a ‘inserção soberana na globalização’. Este era o plano de De la Rua. A FSLN na Nicarágua defendia o mesmo e terminou apoiando a Alca. Chaves, na Venezuela, ao não romper com o FMI, está fracassando, de um lado golpeado pela burguesia, de outro, pelo descontentamento das massas.

A luta contra a Alca deve apontar para uma plataforma anticapitalista que defenda o não pagamento da dívida externa, a ruptura com o FMI, a estatização do sistema finananceiro, o controle da produção, a expropriação das grandes empresas privadas e o monopólio estatal do comércio exterior.Por tudo isso, nos somamos à proposta do plebiscito contra a Alca nos países latino-americanos, que ocorrerá no Brasil em setembro. Este deve ser um dos eixos do conjunto da esquerda do Continente.

Democracia burguesa: valor universal ou ditadura do capital?
Nos países periféricos, as instituições das democracias burguesas estão hoje muito mais subordinadas aos organismos financeiros internacionais. Entra governo, sai governo, e as imposições do FMI permanecem intactas. Mantém-se formalmente a eleição de governos e parlamentos que nada decidem. À medida que a ofensiva do imperialismo avança, o caráter dos países se aproxima ao de uma colônia sem nenhuma soberania para determinar suas próprias leis e políticas econômicas.

A crise do regime democrático burguês manifesta-se dramaticamente na Argentina e impõe um debate estratégico: do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores, qual a alternativa a este regime?

Diante deste quadro, a maioria das correntes de esquerda adaptou-se à democracia burguesa e baseia a sua estratégia na reforma das instituições do Estado. A direção do PT, por exemplo, considera o Estado burguês como uma entidade neutra, uma casca vazia que tem seu conteúdo definido pelo governo de turno. Assim, bastaria uma vitória de Lula nas eleições presidenciais para ‘mudar’ o caráter do Estado através da implementação de medidas cosméticas, tais como o Orçamento Participativo.

Uma estratégia revolucionária pressupõe a destruição do Estado e do regime democrático burguês colonial. A autodeterminação das massas em luta, como a que se vive hoje na Argentina, impõe, mais cedo ou mais tarde, a necessidade de organismos de poder da classe que coexistem temporariamente com o poder da burguesia. Este curto período de dualidade de poder se resolve com a derrota de um ou outro.

Foi assim com os soviets da revolução russa, vitoriosos em 1917. O surgimento do Parlamento dos Povos em janeiro de 2000, no Equador, e a Coordenadora das Águas em abril do mesmo ano em Cochabamba, Bolívia, ressaltam a importância que adquirirão estes organismos no próximo período.

Desse ponto de vista, a participação dos revolucionários nas eleições trata-se de uma questão tática e não estratégica. Participamos dos processos eleitorais na medida em que as massas ainda acreditam neste mecanismo da democracia burguesa. Esta participação deve estar pautada pela denúncia do sistema, do regime democrático burguês e do governo de turno, bem como em defesa de um programa anticapitalista, das lutas e organizações independentes dos trabalhadores.

Post author Euclides de Agrela, da redação
Publication Date