Rodoviários do Amapá arrancam 16% de reajuste e afastam banco de horas

No dia 22 de maio, 100% de motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços em uma paralisação de advertência por 24h exigindo reposição nos salários. A Justiça considerou a greve abusiva e aplicou multa pesada ao sindicato dos Rodoviários (SINCOTTRAP). O movimento reagiu, forçando-a a retirar as penalidades. Esse acúmulo de força levou ao indicativo de nova paralisação por tempo indeterminado a partir do dia 11/06.

Um dia antes da data de paralisação, os empresários cederam a pressão do sindicato e da base. O presidente do SINCOTTRAP e militante do PSTU, Joinville Frota, explica que “a vontade dos patrões inicialmente era dar somente 2% de abono. Por isso o sindicato começou um processo de mobilização não só entre seus sócios, mas em toda cidade, distribuindo milhares de panfletos e cartazes se solidarizando com a população contra o aumento das tarifas, pelo fim da redução da frota de ônibus e por reposição salarial”. Os rodoviários conseguiram com sua luta arrancar 16% da inflação, o aumento na cesta básica que passou de R$ 40,00 para R$ 55,00 e no vale-alimentação, saindo de R$ 3,50 para R$ 4,00, sendo acordado que este terá novo reajuste daqui há 6 meses. Porém, a grande vitória política da categoria foi excluir definitivamente o banco de horas da convenção coletiva.

Além da questão salarial, a greve foi marcada por um forte debate na base, sendo por várias vezes repudiada em assembléia a política do governo Lula com relação a reforma da Previdência social e sua conivência na implantação da ALCA.