RN: Dirigente do PSOL rompe com o partido e ingressa no PSTU


Leia abaixo a carta divulgada pelo ex-vice-presidente do PSOL no Rio Grande do Norte

“A última esperança de um eterno militante anticapitalista

Sou o professor Tita Holanda, cristão, socialista, democrático, anticapitalista, plural, horizontal, de esquerda, revolucionário, averso a propriedade privada, igualitário e, ao contrário de milhões de brasileiros, amante eterno e incondicional da POLÍTICA, desde que me entendo como gente.Sou totalmente desprovido de medo, pavor em relação a ela. A POLÍTICA é um legado da inteligência grega para toda humanidade. A Grécia foi o centro do mundo na antiguidade. Apesar disso, o povo grego enfrentava problemas coletivos de toda ordem: moradia, segurança, educação, saúde, transporte, emprego, cultura, infraestrutura, mobilidade, política, social, religiosa, etc. Para eles, solucionar um problema esquecendo e agravando outros era uma desonra, desagradável ao extremo. Então, o que fazer para atacar e resolver todas as dificuldade de uma só vez? Que instrumento é possivel criar para eliminar todas essas mazelas de uma única vez? Como podemos responder positivamente a essa conjunto de dificuldades enfrentado pelo povo grego e ao mesmo tempo garantir aos cidadãos gregos excelente qualidade de vida? Como? Sob tantos questionamentos, a inteligência grega respondeu com a criação da POLÍTICA que, de fato, foi e é um instrumento extremamente eficaz para solucionar todos os problemas do povo grego e das civilizações atuais de uma única vez. É pela existência da POLÍTICA que cidadãos de todo o mundo das classes sociais menos favorecidas economicamente conseguem, mesmo que precariamente, acesso a alguns benefícios na área da saúde, educação, moradia, emprego e salário. Obvio é que precisamos nos comprometer com o aperfeiçoamento da POLÍTICA entendendo sempre que isso só será possível se ocorrer o acasalamento perfeito entre homens honrados, dignos, de grande valor moral com a POLÍTICA.

Encantados com os resultados impressionantes alcançados pelos gregos via POLÍTICA, humanos de todo mundo, adotou a política como ferramenta adequada na solução de problemas coletivos que enfrentavam e que viriam enfrentar até os dias atuais. Portanto, não há o que temer. Política e partidos no mundo de hoje caminham juntos, são indissociáveis. Esclareço isso porque estou na iminência de migrar de partido: saindo do PSOL, e indo para o PSTU. Este fato exige uma explicação de nossa parte, uma explicação mais detalhada e é o que faremos a seguir.

Por que sair do PSOL?
O PSOL foi criado em circunstância muito especial da história política brasileira. Num momento em que o PT rompe compromissos com a classe trabalhadora brasileira, com o socialismo, com os sentimentos de esquerda, com a revolução socialista, com políticas libertadoras que tinha a obrigação de implantar em favor dos filhos da pobreza do Brasil. Um grupo de parlamentares do próprio PT contrários a essa traição, e na tentativa de resgatar o espírito do antigo PT, após serem expulsos, fundaram o PSOL na tentativa de ressuscitar a esperança crucificada pelo PT. Assim, somar com esse novo grupo passou a ser, para mim, uma obrigação.

Sou da direção regional do PSOL-RN,(vice-presidente) e municipal de Parnamirim-RN, (presidente). Agora ex-psol. Tudo que fiz no, e para o PSOL, fiz com muita alegria e prazer. Cada vitória alcançada pelo PSOL me enchia de felicidades. Para orgulho de todos, o PSOL crescia sem inchar.  Na organização interna do PSOL é permitida a formação de correntes internas, ou seja, grupo de militantes que se organizam com programa, estatuto, símbolos, hinos, bandeiras, etc, próprios. Percebi com muita clareza que militantes como eu, chamados independentes, teriam dificuldades de ajudar no crescimento do PSOL. Isto porque as coisas são sempre decididas democraticamente no voto direto. Os votos dos independentes são livres, já os votos dos acorrentados são dados de acordo com os programas de suas correntes. Como nas plenárias a presença é sempre maior de militantes ligados a correntes, temos pouquíssimas chances de continuar colaborando para o crescimento do PSOL.

Há outras razões que me levaram a tomar a decisão de sair do PSOL, que me recuso a expô-la pelo fato de classificá-las de “foro íntimo”, porém, uma preciso deixar clara: perdi a alegria, a felicidade, o prazer de militar no PSOL, apesar de, ainda, considerá-lo um bom partido entre os diversos que existem no Brasil.

Por que entrar no PSTU?
A grande verdade sobre nossa movimentação partidária é que estou caminhando para a aposentadoria. Estou absolutamente convencido disto. Devo me aposentar. Chegou a hora de passar o bastão. Aproximo-me dos sessenta anos de idade. Dediquei toda a minha vida a algo que só agora percebo que virou, sem que me dessa conta, uma obsessão: a de ajudar na formação de um Partido Político brasileiro, socialista, de esquerda, anticapitalista, ecológico, revolucionário, democrático, que tivesse compromisso sólido no campo da ética, da moral, que mantivesse princípios de lealdade e fidelidade ao povo brasileiro de todas os recantos desse imenso país. Nunca perdi a esperança de alcançar esse objetivo. Nunca. Acho que posso alcançá-lo agora, aplicando minha energia, meu trabalho, minha inteligência política que desenvolvi ao longo dos 31 anos de militância, em favor do PSTU. Remaremos juntos na esperança de encontrar luz do outro lado do rio.

Ainda há dois projetos no campo político partidário que precisamos finalizar, além de trabalhar, obsessivamente, para a criação de um bom partido para o Brasil e para os brasileiros, e aí sim, não alcançando os objetivos desejados, caminhar para aposentadoria com a convicção de fiz a minha parte.

Acredito no PSTU como partido capaz de atender integralmente tudo que desejo ao povo brasileiro em matéria de política e partido. Acredito que meus projetos coincidem com interesse do PSTU. Acredito que o PSTU ouvirá o que tenho a dizer e, considerando defensável, as defenderá como se dele fosse. Acredito que o PSTU seja a última esperança do povo brasileiro de ter um partido comprometido integralmente com as causas dos trabalhadores e das famílias pobres desse país, nas cidades e no campo.

Temos uma convivência de lutas juntos. Na base do SINTE-RN, nas coligações partidárias PSOL/PSTU, nos movimentos sociais, etc. Conheço a forma de organização do PSTU e a aceito. As pessoas que dirigem o PSTU no Rio Grande do Norte e no Brasil, eu os conheço e me considero amigo de alguns. Tenho orgulho e confiança em todos. Tenho a mais pura segurança de que, de posse da menor fatia de poder que possa existir, dada a qualquer um deles, eles corresponderão na totalidade às expectativas do povo brasileiro. A exemplo do que acontece com o mandato de vereador na cidade de Natal-RN da professora Amanda Gurgel.

Com a presente carta formalizo meu pedido e desejo de pertencer ao conjunto dos filiados ao PSTU no Brasil e no Rio Grande do Norte, para cumprir o programa, estatuto e decisões dos núcleos de base com total lealdade.”

Professor Tita Holanda