Revisitando o ‘Grande Irmão´

Programa-símbolo da decadência do sistema, o BBB ainda cometeu a ousadia de pegar seu nome emprestado da obra de um dos mais libertários e anticapitalistas escritores da humanidade, o inglês George Orwell. O artista apresentou o “personagem” no livro “1984”, escrito em 1948, como uma vigorosa crítica tanto às tendências fascistas do sistema capitalista quanto ao autoritarismo stalinista.

O “Grande Irmão”, que a todos via e controlava, foi criado por um já bastante pessimista Orwell como ilustração ácida do mundo que estava à sua frente. No final dos anos 1940, depois de ter sido simpatizante do trotskismo, ter lutado nas Brigadas Internacionais, na Guerra Civil Espanhola, e escrito, em 1945, o antistalisnista “A revolução dos bichos”, Orwell esperava pelo pior: “Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”.

O “pior” imaginado pelo escritor teria como mais nefasta expressão o controle absoluto e a desumanização das pessoas, marionetes de um sistema que repetia uma mesma frase à exaustão: “Guerra é paz; liberdade é escravidão e ignorância é força”. Lamentável palavra de ordem, digna de virar hino do BBB.

Além do próprio “1984”, vale a pena ler ou ver ótimas versões de três obras-primas do gênero: “Fahrenheit 451” (Ray Bradbury), “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley), e “Laranja Mecânica” (Anthony Burgess).
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