Repressão provoca indignação, e movimento promete se ampliar

Protesto seguia pacífico até ataque da polícia
(Foto: Diego Cruz)

Violência policial gerou indignação da população paulista e apoio aos manifestantes

 

A violenta ação da Polícia Militar de São Paulo nesta quinta-feira, 13, contra a manifestação contra o aumento das passagens do transporte público gerou revolta em na sociedade. Ao contrário de intimidar, a repressão pode ampliar os protestos.

“A brutalidade da ação policial, que queria desmoralizar e acabar com o movimento, teve efeito contrário, porque, agora, a população sabe quem são os verdadeiros baderneiros, e é a polícia”, falou Arielli Tavares Moreira, da ANEL.

Uma pesquisa do Datafolha revelou que a maioria da população paulista é a favor das manifestações. A pesquisa foi realizada co 815 pessoas antes da repressão policial de quinta-feira, e mostrou que 55% dos entrevistados aprovam os protestos, enquanto 41% se manifestaram contrários.

Ainda segundo a pesquisa, a maioria da população desaprova o aumento das tarifas. Os paulistanos também acham a qualidade do transporte ruim ou péssima segundo a mesma pesquisa.

Governos não aceitam abrir as contas do transporte
Em audiência pública com o Ministério Público Estadual e o movimento contra o aumento das passagens, foi feito o acordo de suspensão do aumento por 45 dias para que fossem verificadas as planilhas de custos dos transportes. Em contrapartida, o movimento não realizaria manifestações nesse período. No entanto, tanto o governo do Estado, de Geraldo Alckmin, quanto a Prefeitura, de Fernando Haddad, não aceitam mostrar as planilhas.

“Se o aumento é justo e regular, por que não aceitaram a proposta do Ministério Público? Toda a confusão podia ter sido evitada se o governo estivesse disposto a dialogar, a mostrar para toda a população a necessidade do aumento”, disse Arielli. Para ela, o governo preferiu a violência ao acordo: “a resposta do governo à nossa proposta de acordo foi o cassetete e a bala de borracha, e isso é inadmissível, porque repressão como essa a gente só viu na ditadura”.