Repressão na Copa terá colaboração dos EUA


Missão diplomática dos EUA desembarca no país para tratar de “segurança pública” durante os jogos

A preparação do aparato repressivo para a Copa parece não ter limites. Após a ocupação das Forças Armadas no Complexo da Maré, no Rio, que teve início no último dia 5 e que deve durar pelo menos até a Copa, agora o governo norte-americano informou que está colaborando diretamente com o governo do estado na “segurança pública” para os jogos. Uma missão diplomática dos EUA teria desembarcado no Rio para tratar do tema, no que os norte-americanos se referem como “análise e troca de informações para a Copa”.

A informação de que os EUA estão cooperando com o governo do estado, agora comandado por Luiz Fernando Pezão, após a renúncia de Cabral, foi confirmada pelo consulado norte-americano. Ainda segundo o consulado, esse tipo de colaboração também ocorre com outros estados que sediarão jogos da Copa. A ação seria coordenada pelo escritório de segurança diplomática do Departamento de Estado dos EUA. O país norte-americano justificou a ingerência afirmando se tratar de um “procedimento padrão utilizado pelos EUA em eventos esportivos de grande porte, como a Copa do Mundo”.

Outra matéria, desta vez da Folha, afirma que os EUA montarão dois centros de vigilância no país durante a Copa, uma em Brasília e outra no Rio. Essas unidades serão gerenciadas pela CIA, o serviço secreto norte-americano. Policiais do FBI, por sua vez, também estarão no Brasil com o pretexto de acompanharem a seleção norte-americana de futebol.

Aparato de guerra
A Força Aérea Brasileira também acaba de comprar um drone da empresa israelense Elbit Systems, para vigiar os estádios. Os mesmos drones que o governo de Israel utiliza para explodir palestinos à distância. O drone, modelo Hermes 900, vai sair pela bagatela de 8 milhões de dólares, num contrato que inclui suporte de logística e garantia.

Ainda segundo matéria do Globo, o contingente preparado para os dias de jogos será de 57 mil homens das Forças Armadas, sendo que 21 mil militares ficarão de reserva para o caso de uma eventual paralisação da Polícia Militar.

O envolvimento dos EUA na segurança da Copa, leia-se, intimidação e repressão contra os protestos organizados para ocorrerem durante os jogos, mostra bem a preocupação não só do governo brasileiro, como do próprio imperialismo, em se garantir a ‘tranquilidade’ de um evento que só propicia lucros às grandes empreiteiras e à própria Fifa. É ainda um ataque direto à soberania do país, tal como as leis de exceção que vigorarão durante os jogos, com o apoio e cumplicidade do governo Dilma.

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