Reforma significa privatização

Os trabalhadores que quiserem receber uma aposentadoria superior ao teto do INSS terão que contribuir para um fundo de previdência privada.

É por isso que o sistema financeiro tanto pressiona a favor da reforma da previdência. Trata-se da privatização e de um mercado de R$ 134 bilhões anuais. Somente com o ingresso do funcionalismo público no regime geral de previdência, cerca de R$ 50 bilhões por ano passariam para as mãos do sistema financeiro.

As Associações de Previdência Privada hoje existentes avaliam que (com a Reforma) terão um salto no seu patrimônio de R$ 179 bilhões para R$ 420 bilhões até o final do governo Lula.. A abertura deste mercado para o capital financeiro é uma das principais exigências do FMI.

A previdência dos trabalhadores, portanto, ficaria nas mãos dos especuladores.
Conforme avalia Ceci Jurua, do Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro: “Os “investidores institucionais” (especuladores) (…) são os que atuam na vanguarda das Reformas(…) Eles são representados por fundos de pensão, fundos de investimento, seguradoras e grandes bancos, que atuam em escala planetária. Eles dominam os mercados financeiros internacionais, implantaram-se nos mercados nacionais, e promovem uma gigantesca especulação(…) Para esses investidores (…), a reforma da previdência social no Brasil pode ser uma oportunidade ímpar de aplicação(…), pois os recursos aplicados em planos de aposentadoria complementar serão (…) dirigidos para fundos de investimento, em mercados onde seguradoras e grandes bancos atuam em regime de oligopólio. Melhor que essa reforma seja urgente, para que os poucos bilhões de dólares disponibilizados pelo FMI permitam converter a nova riqueza monetária em moeda forte que irá para os países centrais e para os paraísos fiscais. As sobras poderão ficar no Brasil, para aplicação na dívida pública interna(…)”

No Chile e Argentina, onde foram feitas tais “Reformas”, o custo para o Estado, a partir da instituição de fundos privados de aposentadoria e pensão, aumentou sobremaneira os gastos do governo, enquanto o valor das aposentadorias caiu drasticamente. Durante o período de capitalização, os fundos privados iam muito bem, mas quando chegou a hora de desembolsar os benefícios, a maioria faliu.

Post author Mariúcha Fontana, da redação
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