Quem faz o jogo da direita?

José Genoíno, presidente do PT, disse no Congresso da UNE que “a esquerda faz o jogo da direita”, em alusão aos “radicais” que o PT quer expulsar e à todos que se opõem pela esquerda ao governo e suas “reformas”.

Deixando de lado o quão velho e surrado é esse “argumento”, o que mais espanto causa é a cara-de-pau e falta de senso de ridículo de Genoíno.

No mesmo dia, Lula abraçava-se ao chefe da direita mundial, George Bush. Além da “boa química” entre os dois, tão alardeada pela imprensa, o Presidente do Brasil declarava acreditar numa “relação perfeita” entre Brasil e EUA e aceitava a ALCA.
Em seguida, Lula e comitiva reuniram-se com o FMI, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento, onde não lhes foram poupados elogios às “reformas” e à “austeridade fiscal”.

Antes ainda da visita a Bush, o PT que diz querer “economizar” 56 bilhões de reais em 10 anos, às custas do confisco das aposentadorias dos servidores, está fazendo das tripas coração para jogar a CPI do Banestado pra debaixo do tapete e abafar o terremoto que causará a vinda à tona dos nomes de empresários e políticos que remeteram 30 bilhões de dólares para contas no exterior.

E, convenhamos, quem copia FHC, aplica de forma aprofundada o modelo neoliberal (antes patrimônio do PSDB e PFL) e integra até o PPB de Maluf na base governista, não tem como acusar – a não ser a si próprio – de estar fazendo “o jogo da direita”.

Derrotar o jogo da direita com luta e com um novo partido

O jogo da direita está sendo jogado pelo governo, com a reforma da Previdência, com a aplicação do receituário neoliberal e da cartilha do FMI e com as negociações e aceitação da ALCA.

Na verdade, a esquerda precisa entrar em campo, começar a jogar e ampliar seu jogo. Sim, porque ao PT passar com armas e bagagem para o campo do FMI e da burguesia, é urgente que a esquerda entre em campo.

Coisa que começa a acontecer e ganhar força. Fazendo o jogo da esquerda para derrotar o da direita, teremos a greve do funcionalismo contra a reforma, que promete jogar bem. Ao lado dela, precisam se posicionar todos trabalhadores e ampliar o ataque e defesa da esquerda para derrotar o projeto do FMI e barrar a ALCA; para conquistar emprego, salário e terra e defender direitos.
Mas, para fazer o jogo da esquerda, os trabalhadores precisam também de um novo instrumento político.

É necessário que toda a esquerda socialista vote contra a reforma – como farão os “radicais”. E é preciso também que todos os socialistas rompam com o governo e com o PT e que todos juntos formemos um novo partido.
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