Quarenta dias de greve contra Alckmin e Lula

Professores, funcionários e estudantes se mantêm firmes, apesar da intransigência as reitorias e da truculência do governo estadualA greve dos funcionários e professores das universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) completa mais de 40 dias. Ainda assim a intransigência do Conselho de Reitores (Cruesp) e do governo Alckmin continua. Após cinco reuniões de negociação reivindicando 16% de reajuste salarial, os professores e funcionários receberam como resposta: 0%. Esta situação levou ambas as categorias a reverem, a partir de um indicativo do Fórum das Seis (fórum que reúne as Associações de Docentes e Sindicatos dos Trabalhadores e entidades estudantis das três universidades), o índice para 9,51%. Mesmo com esta contraproposta o Cruesp reafirmou o 0% e fechou a negociação. Sem perspectivas de reajuste salarial, a mobilização refluiu. Os funcionários da Unicamp foram os primeiros a sair da greve. Mas a paralisação continua com os docentes, estudantes e na USP e Unesp.

A situação dos trabalhadores das estaduais paulistas é a mesma do resto do país. Com uma política de submissão ao FMI, o governo Lula não investe nas áreas sociais e prepara reformas, como a universitária, que privatiza o ensino público. Seja com Lula, seja com Alckmin, a política de arrocho é a mesma: “É Lula lá, Geraldo aqui a nossa verba ta com o FMI”.

A Assembléia Legislativa de São Paulo votará a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Na LDO, o percentual do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) destinado às universidades estaduais é de 9,56%. A reivindicação histórica dos trabalhadores e estudantes das estaduais é de 11,6%. Por isso, o movimento acompanha a votação com atos e vigílias.

Estudantes na luta

Apesar da greve ter sido desencadeada pelos professores e funcionários, os estudantes da USP, Unesp e Unicamp aderiram à mobilização rapidamente. Além da defesa do reajuste salarial e do aumento de verbas na LDO, organizaram sua própria pauta para negociar com os reitores.

Na Unesp não faltam motivos para greve: falta Assistência Estudantil, como a moradia, leva muitos estudantes a abandonarem os cursos; alunos dos últimos anos não se formam porque não há professores. As fundações privadas parasitam a USP. Na Unicamp, a Reitoria desferiu um golpe contra os estudantes não homologando os Representantes Discentes para o Conselho Universitário. Na Unicamp e na Unesp o Registro Acadêmico está sendo transferido para o controle Banespa/Santander. Os estudantes aprovaram também a luta contra a Reforma Universitária de Lula. As reitorias da Unesp e da Unicamp foram ocupadas, mesmo assim os reitores continuam intransigentes e ameaçam com punições.

SOLIDARIEDADE

Campanha contra as punições aos que ocuparam a Reitoria da Unicamp

Após a ocupação da reitoria da Unicamp, o reitor Carlos Henrique Brito Cruz anunciou que identificou seis estudantes e irá puni-los. Pedimos o envio de moções de repúdio e mensagens para a Reitoria da Unicamp:

  • [email protected] com cópia para [email protected]
  • Post author José Galvão, do Comando Estadual de Greve / Unicamp
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