Punição aos corruptos e controle dos trabalhadores são saídas eficazes

A primeira medida para enfrentar a corrupção é reprimir os corruptos. A impunidade multiplica os corruptos. Todos sabem que, se alguém rouba um prato de comida, vai preso, mas grandes ladrões, como Collor ou Maluf, não só estão livres, como concorrem a eleições.

Seria preciso prender os corruptos e confiscar seus bens. Não adianta uma prisão temporária sem que se expropriem as propriedades dos corruptos, porque ao sair da prisão (em geral por um tempo breve), ele vai usufruir do que roubou.

Isto significa também prender e expropriar as empresas que corromperam. Não existem corruptos sem corruptores. Em geral, no país, quando alguém acaba preso, é um funcionário menor. Nenhum graúdo vai para a cadeia e muito menos as grandes empresas corruptoras são afetadas.`Marcos

Além disso, seria necessário que todos os altos funcionários e dirigentes de empresas tivessem seus sigilos bancários abertos, para que houvesse o mínimo de transparência.

Quando dizemos que essas são medidas iniciais, é porque o problema de fundo não se soluciona, sem que haja uma revolução socialista no país.

Isto possibilitaria que, em primeiro lugar, deixassem de existir as grandes empresas privadas, todas elas grandes corruptoras. Em segundo lugar, seria possível ter um outro tipo de Estado, uma outra democracia, com os trabalhadores controlando os funcionários. Além de medidas simples como a eleição de todos os funcionários que governam (incluindo juízes, delegados, dirigentes de escolas, hospitais, empresas públicas), com a imediata revogabilidade de todos eles, e com salários iguais aos dos outros trabalhadores. Imaginem uma empresa como a Petrobrás, se tivesse os dirigentes eleitos pelos que nela trabalham, com o salário igual aos outros trabalhadores e o mandato revogável a qualquer momento pelos próprios trabalhadores. Imaginem a Justiça, com seus juízes também eleitos e com mandatos revogáveis pela população. Não é verdade que “todos” são corruptos, e que nada adianta fazer. Mas é verdade que, mantendo-se o atual regime, ninguém estaria livre do risco da corrupção, mesmo os mais honestos. O que é necessário mudar é o sistema capitalista e a democracia burguesa.

Enganam-se aqueles que acham que “isso de revolução” é uma utopia, que é preciso dar somente respostas “práticas, imediatas”, para a corrupção. Nós propomos soluções práticas e imediatas, como a prisão e confisco dos bens dos corruptos. Mas não nos enganamos. Com a democracia burguesa corrupta, em que o dinheiro define tudo, tudo vai “acabar em pizza”. Como nenhum dos grandes burgueses, nem dos grandes partidos, quer ir a fundo na luta contra a corrupção, a justiça emperra, as CPIs do Congresso não resolvem nada, a polícia não se move. Os poucos que são presos são usados para mostrar serviço, mas o mar de lama continua. Os grandes corruptos vão continuar aí, as grandes empresas corruptoras intocáveis, a corrupção não vai acabar no país, enquanto os trabalhadores não tomarem em suas mãos a economia e a sociedade; enquanto não houver uma revolução.
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