PUC-SP promove caça às drogas e tenta criminalizar movimento estudantil

Reitoria fornece nomes de ‘responsáveis’ pelo consumo de drogas no campus, e ativista é chamado para depôr na polícia. Leia abaixo a carta de repúdioCARTA DE REPÚDIO “À ATITUDE” DA REITORIA DA PUC-SP

O CACS (Centro Acadêmico de Ciências Sociais, História, Geografia e Turismo) da PUC-SP vem por meio desta carta, repudiar a atitude da PUC-SP de criminalizar o movimento estudantil.

No dia 17/07/2009, uma reportagem intitulada “fumacê na PUC” publicada pela revista “Veja São Paulo” denunciou o consumo e porte de substâncias ilegais como a maconha dentro do Campus da PUC-SP. Juntamente com a matéria da “Veja”, a Reitoria através do seu Pró-Reitor, Helio Deliberador, começou uma campanha punitiva usando a segurança privada para reprimir os usuários.

Tais ataques ocorrem em um momento em que a Reitoria e a Fundação São Paulo (Igreja) implementam uma política que suprime a participação dos professores, funcionários e estudantes nas decisões da Universidade.

Hoje a Igreja decide sobre as demissões/contratações, as grades curriculares, o preço das mensalidades, a quantidade de bolsas e sobre as pesquisas que faremos (dá pra acreditar!?) e é abertamente favorável ao Ensino a Distancia (EaD), por outro lado, o movimento estudantil da Faculdade de Ciências Sociais retoma sua luta de maneira mais organizada como vemos nas reuniões dos estudantes de História, Geografia e Ciências Sociais, discutindo as problemáticas de seus respectivos cursos a respeito das grades curriculares, professores, a intervenção da Igreja e o caráter da universidade que queremos.

Na última segunda-feira (05/10), um estudante que participa da Gestão do CACS recebeu uma intimação da polícia para prestar esclarecimentos sobre a utilização de drogas dentro do CACS. Esse estudante foi denunciado pela PUC-SP como o responsável pelo centro Acadêmico e forneceu para a polícia seus telefones, seu endereço residencial, nome e matrícula.

Sabemos do uso de substâncias ilegais dentro e fora da universidade e estamos abertos a debater a fundo sobre o tema, porém a atitude da PUC-SP de fornecer nomes de “responsáveis” equivocadamente para a polícia, só nos leva à conclusão de que essa é mais uma tentativa da PUC-SP de criminalizar o movimento estudantil, tendo o apoio do Estado (já que nosso Reitor é um ilustre Desembargador e ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo) e da grande mídia brasileira. Sabemos também que esse ataque é uma tentativa de desmoralização do movimento, já que nossas lutas são muito maiores, como, por exemplo, à luta contra o processo de destruição da qualidade do ensino superior e a necessidade imediata de construirmos um novo projeto de Universidade com a participação ativa dos estudantes, professores e funcionários da PUC-SP.

Questionamos esse projeto destrutivo da Reitoria e da Fundação São Paulo que visa pagar a dívida da PUC-SP (R$ 300mi), à custa de rebaixamento de salários e de direitos trabalhistas, de demissões de professores, de modificação das grades curriculares, retirando a qualidade das nossas aulas. Assim como também questionamos todas as atitudes arbitrárias da Fundação São Paulo, de passar por cima dos conselhos da universidade (que já têm uma democracia restrita) e de deslegitimar as organizações estudantis, como por exemplo, os centros acadêmicos.

Devemos repudiar esse ataque político que a PUC-SP está fazendo, tanto ao CACS, como a esse estudante perseguido. O CACS é uma ferramenta de luta estudantil, portanto não tem somente um responsável, mas sim, inúmeros e pertence a todos os estudantes.

Infelizmente, a Reitoria e Fundação São Paulo têm tratado o tema das drogas dentro do campus de forma equivocada, com punições, falsas acusações e sem a discussão precisa sobre o assunto. Mas também sabemos que por trás disso, há uma tentativa da Reitoria e da Fundação São Paulo de desviar os estudantes de suas lutas, muito mais nobres, de questionamento dos caminhos que a PUC vem tomando.

Para isso chamamos todos os Centros Acadêmicos, Sindicatos e organizações a somarem neste grande repúdio à atitude da PUC-SP e pela descriminalização do movimento estudantil.

Todos juntos por um novo movimento estudantil, que questione esse projeto mercantil de educação e construa uma nova universidade. A luta contra a criminalização do movimento estudantil é também a luta por uma educação de qualidade, pública e a serviço dos trabalhadores.

CACS PUC-SP – Gestão Te Convido a LUTAR!