PUC-SP demite centenas de professores

Na última semana, estudantes, professores e funcionários estão protagonizando uma grande luta na PUC-SP. O estopim foi o anúncio da demissão de cerca de 350 professores. Além disso, a reitoria adiou a retomada das aulas para 3 de março.

Há mais de 10 anos a PUC-SP atravessa uma profunda crise financeira. Desde então, as soluções adotadas pela reitoria vêm agravando ainda mais. Quando estourou a primeira crise, em meados da década passada, a PUC adotou uma velha solução: aumento desenfreado das mensalidades e o corte de bolsas de estudantes. O resultado não poderia ter sido mais desastroso. A medida detonou uma enorme inadimplência, uma vez que a maioria não tinha condições de pagar as exorbitantes mensalidades. Para tentar contornar a situação, a reitoria escolheu uma solução ainda pior. Pegou mais de R$ 80 milhões emprestados com o Bradesco e o Itaú e anunciou, no ano passado, uma reforma administrativa, consumada agora com as demissões.

Intervenção
Como se não bastasse, depois das demissões a universidade sofreu uma intervenção direta da Fundação São Paulo (entidade mantenedora da PUC, ligada à Igreja Católica). Hoje nenhum órgão da instituição, nem mesmo o Conselho Universitário, têm poderes deliberativos. Tudo é definido pelos interventores e os bancos credores. Inclusive as listas de quem será demitido. Nesse quadro, cabe à reitoria o ridículo papel de fantoche dessa gente.

Entretanto, as entidades dos professores (Apropuc), funcionários (Afapuc) e os CA’s (especialmente o de Ciências Sociais) estão se articulando para lutar. Para construir a unidade das três categorias, foi lançado, no dia 16, um Fórum de Lutas, que vai se reunir no dia 2 de março.

É necessário construir uma greve dos três setores para reverter as demissões e a intervenção. O caos em que a PUC se encontra expressa apenas uma parte da crise do ensino privado. A completa estatização da instituição é a única saída para que a comunidade acadêmica possa garantir o emprego de funcionários e professores e a qualidade do ensino. Apenas a estatização pode impedir que PUC seja fechada ou comprada por um bando de investidores interessados em fazer da educação apenas uma mercadoria lucrativa e sem qualidade.

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