PSTU: socialista e de oposição de esquerda ao governo do PT

    O PSTU completará 20 anos em 2014. Nosso partido foi criado em meio às mobilizações do Fora Collor e enfrentou os duros anos neoliberais de FHC. Porém nossos maiores desafios aconteceram nos últimos dez anos durante os governos de Lula e Dilma.
    Já em 2002, nas eleições que levaram Lula à presidência, o PSTU definiu não apoiá-lo. Para nós, aquela campanha já tinha sido construída em aliança com um setor importante da burguesia: José Alencar, grande empresário têxtil, era o vice da chapa que contava com o apoio, dentre outros, de Sarney. A continuidade da aplicação dos planos neoliberais do imperialismo e da burguesia já estava sinalizada. Ou seja, enxergávamos um governo que manteria os ataques aos trabalhadores e a preservação e ampliação dos lucros dos grandes empresários nacionais e internacionais.
    Havia um agravante. Lula e o PT mantinham, e mantêm até hoje, uma relação com as direções das principais organizações dos movimentos sociais, como a CUT, a UNE e o MST, que colocava um sério risco de “domesticação” dessas entidades, que passariam a defender a paralisia das lutas e o apoio ao governo.
    Por isso, desde o primeiro momento, chamamos a esquerda socialista a não compor este governo e preparar a resistência aos seus planos. A tarefa era construir um amplo movimento de oposição de esquerda ao governo petista, apoiado em cada luta de resistência da classe trabalhadora.
    Infelizmente, este não foi o caminho adotado pela maioria das organizações da esquerda, que preferiram aderir ao governo, ocupando cargos na administração federal. Chamaram os trabalhadores a apoiarem Lula, mesmo com a evidência de que este governo tinha as mesmas políticas dos governos anteriores do PSDB.
    Algumas organizações, mesmo não compondo formalmente o governo, mantinham seu apoio por fora, legitimando o programa e as alianças feitas pelo PT. No máximo, faziam pressão para tentar puxar o governo para a esquerda, mas sem romper com ele.

    Continuamos com nossa estratégia classista e socialista
    O PT se manteve no governo nos últimos dez anos se aproveitando, principalmente, de alguns anos de crescimento econômico. Continuou governando para as grandes empresas e se aliando à burguesia.
    Para isso, precisou e conseguiu manter a maioria dos trabalhadores e do povo apoiando seus governos. Isso se deu por uma combinação entre a intensificação de políticas sociais compensatórias, como o Bolsa Família, e o apoio das principais organizações do movimento de massas aos governos petistas.
    Enquanto entidades como a CUT e a UNE abandonaram a estratégia das mobilizações para defender os governos do PT, nossa militância se dedicou à construção da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). O fortalecimento da atual Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) e da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) e seu papel nas lutas é uma expressão da necessidade da independência de classe dos trabalhadores frente aos grandes empresários. Afinal, não será deixando de lutar e apoiando um governo de conciliação entre trabalhadores e burgueses que conquistaremos uma vida digna.
    A alta popularidade do governo Dilma não muda em nada a tarefa histórica da esquerda socialista. Não devemos aceitar migalhas, não podemos sucumbir aos limites capitalistas que os governos do PT querem impor à classe trabalhadora. Os trabalhadores e o povo pobre podem muito mais!
    Ao contrário de seguir o caminho fácil da adesão e do apoio aos governos do PT, nosso partido se manteve na oposição de esquerda, defendendo a independência de classe e um combate sem trégua ao capitalismo, afirmando e propondo uma saída socialista, não só para o nosso país, mas para todo o mundo.
    Lutamos cotidianamente para firmar um campo dos trabalhadores, classista e socialista, totalmente oposto tanto ao governo do PT e sua base aliada, quanto à chamada oposição de direita, chefiada pelo PSDB.
    Mesmo sabendo que a maioria dos trabalhadores apoia os governos do PT, continuamos dialogando com eles sobre a necessidade de confiar somente na força da mobilização e da organização da nossa classe.

    Venha construir o PSTU, o partido das lutas e do socialismo

    Não apoiamos e nunca apoiaremos os governos do PT. Acreditamos que somente um governo dos trabalhadores, sem a presença da burguesia e de seus partidos, poderá aplicar um plano dos trabalhadores. Um governo que, por exemplo, suspenda o pagamento da dívida externa e interna aos grandes investidores, pare de dar dinheiro público às grandes empresas, garantindo empregos de qualidade, salários justos, educação, saúde e transportes públicos e de qualidade. Enfim, garantindo uma vida digna para a classe trabalhadora e a maioria do povo.
    Um governo verdadeiramente dos trabalhadores e socialista só será conquistado com muita luta. Ele não será fruto de eleições, cada vez mais controladas pelo poder econômico e pela grande mídia.
    Nós nos dedicamos cotidianamente a discutir com os trabalhadores o lado que os governos do PT assumiram: o lado dos patrões. E, quando os trabalhadores se levantarem contra ele, será o momento em que mais precisaremos de um partido forte, socialista, formado e dirigido pelos próprios trabalhadores, especialmente pela classe operária.
    Chamamos vocês, trabalhadores do campo e da cidade, estudantes, vocês que lutam diariamente contra toda forma de opressão e exploração, para ajudar desde já a construir este partido socialista e revolucionário.
    Filie-se ao PSTU e participe de nossas reuniões! Venha construir o partido das lutas e do socialismo!

     

    Post author André Freire, da direção nacional do PSTU
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