PSTU se soma à luta contra expulsão de beduínos palestinos


Chamado pela Frente em Defesa do Povo Palestino-SP/BDS Brasil, ato em São Paulo será na quinta-feira, 1º de agosto, às 19h, na esquina da Av. Paulista com Rua Augusta

Em 24 de junho último, o Parlamento israelense (Knesset) aprovou, em primeira sessão, projeto de lei relativo ao Plano Prawer. Apresentado pelo Governo de Israel em janeiro de 2012, o plano prevê o reassentamento de beduínos palestinos do deserto do Naqab (Negev), ao sul da Palestina. A juventude palestina tem denunciado que, na verdade, o plano regulamenta a expulsão dessa população de suas terras. Assim, tem chamado a iniciativa de “nakba de 2013”. Nakba é o termo utilizado pelos palestinos em referência à catástrofe que se abateu sobre eles entre 1947 e 1949. No período, cerca de 800 mil palestinos foram deslocados à força e perto de 500 aldeias foram destruídas, como resultado de um plano deliberado de limpeza étnica colocado em prática por sionistas. O projeto desses últimos era criar um estado exclusivamente judeu na Palestina, o que viria a ser concretizado com a criação unilateral de Israel em 15 de maio de 1948. A juventude palestina afirmou sua disposição para a luta contra esse novo capítulo da nakba: “O Plano Prawer é a maior campanha iminente de limpeza étnica dos palestinos por Israel desde 1948, e essa nova geração não vai deixar que isso aconteça novamente.”

Em 15 de julho último, eles deram uma mostra dessa determinação. Milhares foram às ruas, em todo o território histórico da Palestina, na batalha para barrar a aprovação definitiva do Plano Prawer no Knesset – falta ser votado em segunda e terceira sessões, o que está previsto para ocorrer ainda em agosto. Apesar da repressão violenta – que culminou em vários feridos e presos -, chamaram uma nova mobilização, intitulada “Dia de Fúria” nesta quinta-feira (1 de agosto). Em São Paulo, a Frente em Defesa do Povo Palestino-SP/BDS Brasil, que reúne dezenas de organizações da sociedade civil brasileira, incluindo o PSTU, soma-se a essa iniciativa. Realizará também neste 1 de agosto, a partir das 19h, um ato público na esquina da Av. Paulista com Rua Augusta.

A pressão feita pela juventude palestina já garantiu a condenação do Plano Prawer esta semana pela chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay. A solidariedade internacional será fundamental para derrotá-lo definitivamente.

O Plano Prawer e suas vítimas
Os beduínos palestinos são um povo nômade que vive essencialmente da agricultura. A maioria foi expulsa na chamada nakba (catástrofe palestina) de 1948, quando foi criado unilateralmente o Estado de Israel. Setor mais marginalizado e pobre da sociedade, no deserto do Naqab, os que conseguiram permanecer em suas casas representam hoje apenas 30% da população local. Vivem em 36 vilas não reconhecidas por Israel, portanto, sem qualquer infraestrutura de serviços básicos, como eletricidade, escolas e assistência à saúde.

Israel tenta há anos expulsar esse contingente, que resiste em não sair de suas terras. O Plano Prawer é mais um passo na busca por garantir a limpeza étnica na região do Naqab. Prevê confiscar cerca de 850 mil dunums de terra dessa população no deserto do Naqab (cada dunum equivale a mil metros quadrados); expulsar aproximadamente 50 mil beduínos palestinos de suas terras e demolir suas 36 vilas; confiná-los em apenas 1% da terra (hoje, para plantar e sobreviver, dispõem de apenas 100 metros quadrados de terra por pessoa). “Estamos determinados a continuar protestando diariamente e lutar para elevar a consciência internacional sobre o sofrimento dos nossos irmãos e irmãs”, enfatiza a juventude palestina em declaração. O PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) se colocam lado a lado nessa trincheira, até que a Palestina seja livre.