Protestos são reprimidos em Honduras

Tanques do exército invadiram as ruas
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O exército de Honduras reprimiu com brutalidade os protestos contra o golpe de Estado que depôs o presidente eleito, Manuel Zelaya, realizados no dia 29, segunda-feira. Cerca de cinco mil pessoas, segundo a emissora de TV venezuelana TeleSUR, foram para as ruas, apesar do toque de recolher decretado pelo novo governo golpista, chefiado por Roberto Micheletti. O agrupamento Cobras, força especial da polícia, tem realizado constantes ações de repressão contra os manifestantes.

O cinegrafista venezuelano Ángel Palácios, da TeleSUR, disse que um trabalhador de uma empresa chamada Unitel, identificado como Rosel Ulisses, de 30 anos, morreu atropelado por um veículo militar.

Neste dia, centrais sindicais convocaram uma greve geral contra o golpe e realizaram protestos nas proximidades do palácio presidencial, na capital Tegucigalpa, e no parque central da Capital Industrial do país, San Pedro Sula.

O bloco de Resistência Popular foi desalojado das proximidades do palácio com gás lacrimogêneo, golpes, jatos de água e prisões efetuadas pelo exército. Nos edifícios da região, há franco-atiradores posicionados, informou o dirigente da Via Campesina, Rafael Alegria, a TeleSUR.

“Para frear a ação policial, os manifestantes contragolpearam com toda força, o que obrigou a reforçar a presença policial e a chamar mais militares. Foi necessário também o uso de tanques que disparavam gás pimenta para deter finalmente a multidão”, informa o jornal pró-golpe El Heraldo.

Já os meios de comunicação que não apoiaram o golpe estão sob censura. Estações de rádio e TV sofreram intervenções. Alguns blogs e sites, porém, conseguem furar o cerco. De acordo com o blog Mimalapalabra, os protestos desta segunda-feira deixaram pelo menos 150 feridos. O Blog informa que também ocorreram manifestações nas comunidades de Trinidad, Gualala, Chinda, Ilama e Quimistán e Santa Bárbara.

O exército também confiscou o equipamento dos jornalistas da TeleSUR. A jornalista da emissora, Adriana Sivori, também foi detida por algumas horas. O caricaturista Allan McDonald também foi detido.

Zelaya anunciou nesta segunda-feira que voltará, com apoio da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU (Organização das Nações Unidas), a Tegucigalpa. O retorno poderá ser na próxima quinta-feira, dia 2, após uma visita aos Estados Unidos, onde o presidente discursará na ONU. O governo golpista advertiu, porém, que “têm uma ordem de captura” pronta caso Zelaya decida retornar ao país.