Protestos marcam 100 anos do 8 de Março

São Paulo (SP) – O centenário do 8 de Março foi lembrado com um ato classista, antigovernista e socialista na capital paulista. Cerca de 400 pessoas participaram, mesmo com a pesada chuva que caiu na manhã do dia 6 de março, no vão do Masp, na Avenida Paulista.

Licença-maternidade ampliada e sem isenção de impostos, creches e legalização do aborto foram algumas das reivindicações. A manifestação também foi marcada pela solidariedade ao povo haitiano e pela necessidade de organizar todos os trabalhadores para lutar contra o capitalismo.

O PSTU foi representado pela companheira Ana Pagamunici, que falou: “O PT, a CUT e as feministas governistas estão vindo para cima da mulherada chamando o voto em Dilma porque ‘mulher vota em mulher’. E nós, as mesmas que estamos aqui hoje, devemos ser as primeiras a discutir com as trabalhadoras que isto não basta. Dilma e Marina, assim como Merkel, na Alemanha, ou Bachelet, no Chile, ou a lamentável Condoleezza Rice, não são mulheres que nos representam nem merecem nosso voto. Não temos que votar só em mulheres. Temos que votar nas companheiras e, também, nos companheiros que defendam um programa socialista, o único capaz de levar, também as mulheres, às conquistas que o sistema capitalista nos rouba e nos nega”.
Rio de Janeiro (RJ) – Foi realizada uma passeata, da Candelária à Cinelândia, que reuniu de 500 a 600 pessoas de diversas categorias, como estudantes, comerciárias, bancárias, profissionais da educação e da saúde. O PSTU, a Conlutas e a Anel estavam em peso. A CUT não esteve presente, pois preferiu participar de atividade convocada pelo governo e pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.

Patrícia Vale falou pela Conlutas e defendeu creches públicas, a licença-maternidade de seis meses para todas as trabalhadoras sem isenção fiscal e terminou sua fala denunciando a política de Lula no Haiti, de colaboração com os governos imperialistas para a superexploração do país. “Mulherada tá na rua, mulherada tá aqui! Fora as tropas, de Lula do Haiti”! foi a palavra de ordem das manifestantes.
Em Nova Friburgo, região serrana, profissionais da educação fizeram paralisação e protesto em frente à prefeitura.

Belo Horizonte (MG) – O número de participantes do ato possivelmente chegou a mil e 54 entidades feministas e sindicais, entre elas o Movimento Mulheres em Luta, a Conlutas e a Via Campesina, construíram uma grande marcha.

A passeata, que chegou a atingir quase um quilômetro de extensão, partiu da Praça da Assembleia, onde estavam acampadas cerca de 400 mulheres do MST e Via Campesina. As manifestantes passaram por quatro pontos estratégicos de denúncia: o Ministério Público, o Banco Central, o Carrefour e a Prefeitura.

As trabalhadoras do Sindeess, sindicato da saúde privada filiado à Conlutas, fizeram uma procissão com cruzes e um caixão com fotos de mulheres assassinadas. O ato unificado terminou na Praça Sete ao som da Internacional Comunista, resgatando o sentido histórico desta data, sugerida pelas mulheres socialistas.

Belém (PA) – A manifestação em frente ao Ministério Público teve participação de mulheres da periferia de Belém, centros comunitários, alem de entidades sindicais.

O objetivo foi denunciar a falta de creches na região metropolitana. Para se ter uma ideia, na Região Norte são 91,6% de crianças na idade de 0 a 3 anos fora da creche. Em Belém, o índice é de 82,5%.

Durante o ato foi formada uma comissão para entregar ao Ministério Público um dossiê denunciando a falta de política dos governos estadual e municipal em relação a esta questão e cobrando uma audiência pública com as mulheres dos bairros carentes de creche. “É um absurdo, muitas mulheres ficam sem poder trabalhar e sustentar suas crianças por não conseguir uma vaga na creche”, diz “dona” Das Dores, do bairro Águas Lindas, na periferia de Belém, com mais de 9 mil famílias e nenhuma creche.

Salvador (BA) – Um protesto na Praça da Piedade, em frente à Secretaria de Segurança Publica, denunciou os casos de violência à mulher no estado. A atividade se contrapôs às atividades governistas. À noite, foi realizada uma atividade na sede do PSTU de Salvador sobre os 100 anos do 8 de Março.
Post author Atos retomam o caráter de classe e socialista do Dia Internacional da Mulher
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