Propostas para a infância e adolescência

Eduardo Braga (PPS) foi uma ausência muito notada durante o encontro “Eleições 2002 – Criança e Adolescente na Pauta das Políticas Públicas”, evento que reuniu ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), quatro dos cinco candidatos ao Governo do Estado com a finalidade de apresentarem suas propostas para as áreas da infância e juventude, e também receberem sugestões de órgãos envolvidos no assunto.

À platéia formada por estudantes, professores, representantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e de órgão públicos voltados para o trabalho com crianças e adolescentes, que lotou o auditório da OAB, os quatro candidatos presentes – Serafim Corrêa(PSB), João Pedro Gonçalves (PT/PCdoB), Gilberto Mestrinho (PMDB) e Herbert Amazonas (PSTU)- manifestaram grande preocupação com a necessidade de implantação de políticas públicas voltadas para as crianças e jovens. Alguns, no entanto, apresentaram propostas mais do que genéricas para o tema.

Herbert Amazonas preferiu o discurso de ataque, discorrendo sobre a impossibilidade em falar de projetos para a adolescência sem o conhecimento dos acontecimentos políticos-econômicos do País, passando a protestar, em seguida, contra o acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA). Também lembrou que a dívida do Estado chega a R$ 2,1 bilhões e que 50% da população brasileira é “analfabeta funcional”. “Muitos lêem um folhetinho e, ao final, não conseguem interpretar e entender o que leram”, disse. “Aí aparecem aqui esses projetos mirabolantes que o povo não sabe o que é”, atacou, lembrando que o PSTU defende o projeto (mais do que natural para um socialista) de “educação e saúde pública gratuitas” para crianças e adolescentes.

Num tom mais diplomata, o petista João Pedro Gonçalves também não perdeu a oportunidade de criticar a administração do presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – embora tenha perdido uma ótima ocasião para ser mais claro em suas propostas de governo. “Estou aqui para dizer a vocês, jovens, que têm o primeiro voto, que militam nos movimentos sociais, que engrossem esse movimento para acabar com a exclusão social”, conclamou, lembrando que os projetos da “Renda-Mínima”, “Orçamento Participativo” e “Bolsa-Escola” são idéias petistas, o que confirmaria que todas as administrações do PT “têm compromisso com jovens e adolescentes”.

João Pedro apresentou como seu primeiro e grande projeto de governo “O respeito à lei”, fazendo alusão ao fato de que o governo teria iniciado várias obras, e agora estaria tendo que abandoná-las para não infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Jornal A Crítica em 20 de agosto