Professores de São Paulo completam primeira semana de greve

Assembléia teve 50 mil professores
Diego Cruz

Assembléia com cinqüenta mil pessoas aprova continuidade da paralisaçãoUma assembléia de professores da rede estadual paulista aprovou na tarde deste dia 20 de junho, sexta-feira, a continuidade da greve por tempo indeterminado. Eles realizaram uma assembléia no vão livre do Masp que reuniu cerca de 50 mil docentes. Há muito tempo a população da cidade não via uma manifestação tão grande. O vão ficou completamente ocupado e não foi suficiente para abrigar todos os professores. Apesar da insistência da PM, os manifestantes ocuparam as duas vias da avenida Paulista no quarteirão do Masp.

A principal reivindicação da greve decretada pela categoria no último dia 13 é a revogação do decreto 5307/08. O decreto estabelece uma avaliação de desempenho aos professores temporários, que seriam na prática demitidos e readmitidos só após a avaliação. Além disso, ele ainda dificulta a realização de concursos e impede a utilização do artigo 22, que permite aos professores transferirem-se a uma escola perto de sua casa. O decreto também impõe atribuição de aulas compulsoriamente.

Governo tenta esvaziar greve
A grande assembléia e manifestação dos professores de São Paulo expressam a força do movimento, que cresce a cada dia. A secretaria de Educação do estado afirma que apenas 2% dos professores estão parados. No dia 19, o governo Serra tentou esvaziar a greve, divulgando um suposto reajuste de 12% para os professores. Abriu ainda a possibilidade de “discutir” os decretos, adiantando que eles não seriam revogados. Na verdade o reajuste seria de apenas 5%, já que o restante viria da incorporação de uma gratificação que os docentes já possuem.

Os professores rejeitaram por unanimidade a proposta do governo Serra e aprovaram a continuidade da greve. Após a assembléia, os milhares de professores saíram em passeata rumo à Praça da República, local aonde outros setores da educação também realizavam um ato público.

“Aqueles que diziam que a greve só tinha 2%, que não tinha nenhum reajuste possível, tiveram que engolir suas palavras”, afirmou José Geraldo Correia, o Geraldinho, diretor da Apeoesp pela oposição, citando a tentativa de manobra do governo. Ele ainda exigiu o pagamento dos dias parados. “Só sairemos da greve com o atendimento de nossas reivindicações”, afirmou.

Os professores aprovaram também a realização de assembléias regionais na próxima quinta-feira e uma nova assembléia estadual na sexta, também no vão do Masp. “Temos que construir uma ponte com a sociedade e, na próxima passeata, vai ter professores, alunos, pais, todos juntos em defesa da educação”, disse ainda Geraldinho.

Além da revogação do decreto, os professores lutam por reajuste salarial, limite de 35 alunos por sala de aula e contra a limitação do governo de seis faltas médicas por ano aos professores.