Produtores de transgênicos se beneficiam da falta de informação

A polêmica que envolve os transgênicos está longe de acabar. Isso porque após a derrota dos ambientalistas para a MP que libera a plantação de soja transgênica no Brasil, a briga agora é pelo direito à informação. Hoje, de acordo com a Lei de Biossegurança, produtos que tenham mais de 1% de organismos geneticamente modificados (OGMs) devem apresentar em suas embalagens um triângulo amarelo, com um T no centro. No entanto, desde a sua vigência, em 2003, as indústrias têm tentado mudar a portaria que exige a identificação e muitas não estão cumprindo a ordem.

O temor deve-se à preocupação habitual que as pessoas apresentam em relação ao que consomem. Ao considerar algo suspeito, e que possa trazer algum malefício para a sua saúde, o consumidor tende a evitar determinado alimento. É nesse sentido que as indústrias alegam risco de prejuízo, visto que a marca simbolizaria um alerta, como se fosse algo perigoso.

A indefinição dos alimentos transgênicos é a grande causadora das discussões que envolvem o seu cultivo e comercialização. Se por um lado os produtores alegam que testes não acusam perigo à saúde da população e do meio ambiente, por outro, ONGs e movimentos sociais afirmam que o cultivo da soja geneticamente modificada é recente – menos de uma década – e não se pode ainda concluir sobre os seus reais perigos.

Outra questão é o monopólio exercido pelas grandes empresas, entre elas Cargill, Monsanto, Du Pont, Bunge e Bayer, que juntas detêm 99% da produção de soja transgênica. Um dos argumentos usados na hora de defender os OGMs é que eles são mais rentáveis, permitindo assim uma maior produtividade. Pior para os agricultores da soja convencional (e os consumidores) que não conseguem competir com um produto mais barato. Para os vizinhos das grandes plantações, existe ainda outro drama: o seu cultivo acaba minguando diante dos resíduos da soja transgênica, levados pelo vento. A contaminação de plantas naturais por meio do pólen de plantas transgênicas também é outro fator que preocupa. Nos EUA, por isso, vários alimentos precisaram ser retirados dos supermercados.

Em meio às dúvidas, as multinacionais tentam impedir que as pessoas saibam sequer o que estão levando para casa, apostando na precária fiscalização.

Lula ao lado do agronegócio
No início de junho, o Brasil boicotou uma negociação de mais de 100 países, para definir regras mais claras para a rotulagem dos produtos transgênicos. O Brasil foi responsável pelo fracasso da iniciativa, que poderia ter levado a regras mais rigorosas na identificação dos produtos e na importação e exportação. A bióloga Gabriela Couto, do Greenpeace considerou a atitude como uma `vergonha`. “Fica claro que o governo brasileiro está se recusando a assumir seu compromisso internacional de informar com detalhes o conteúdo de suas exportações. Com isso, ignora as conseqüências que o comércio de transgênicos pode acarretar ao meio ambiente, privilegiando apenas os interesses comerciais do agronegócio“, completou.