Primeiro Congresso da Conlutas começa em Betim

Começou o I Congresso da Conlutas. Milhares de delegados já ocupam os espaços do Ginásio Divino Braga, em Betim (MG).

Pouco antes da abertura, por volta 12h30, os primeiros delegados e observadores foram recepcionados com canções de Milton Nascimento e assistiram um documentário sobre a história das lutas dos trabalhadores.

Uma apresentação cultural afro-brasileira empolgou e emocionou os participantes. Com exibições de danças do maculelê, candoblé, capoeira e maracatu, a apresentação, organizada pelo GT de negros e negras da Conlutas, foi calorosamente aplaudida.
Logo em seguida, iniciaram as falas de convidados, organizações e partidos.
Representando o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômico (Dieese), José Silvestre, saudou os participantes do congresso. Ele ressaltou que a entidade sempre foi fundamental para ajudar na formação dos trabalhadores, com seus estudos e indicadores técnicos.

Janira Rocha, do Sindsprev-RJ, falou em nome do PSOL e expressou a opinião do partido sobre o processo de reorganização. “Não devemos cristalizar projetos neste momento, nem na Conlutas e nem a Intersindical são, sozinhas, uma ferramenta para a reorganização”. A sindicalista defendeu a reinstalação de um Fórum Nacional de Mobilizações para unificar as lutas. Na opinião dela, esse seria o marco para debater uma nova organização de lutas. “O PSOL votou como orientação, tanto para seus militantes na Conlutas ou Intersindical, a defesa da criação de um Fórum de Lutas para a construção de uma nova central sindical”. Recentemente, o MTL, organização da qual Janira é integrante, anunciou sua saída da Conlutas.

‘É necessário independência´
Bastante aplaudido pelo plenário, Valério Arcary, representado o PSTU, relembrou todo esforço para a construção da Conlutas nos últimos quatro anos. Lembrou que esse esforço não foi emm vão, pois permitiu construir o pólo mais avançado do processo de reorganização.

Lembrando as recentes greves dos operários da construção civil de Fortaleza e dos trabalhadores da Revap, em São José dos Campos, Valério declarou: “Passou um ano e basta olhar para trás que os setores mais explorados se levantaram. É preciso reconstruir a confiança da classe operária. É preciso reconquistar os sindicatos dos trabalhadores para a luta”.

Valério, porém, levantou o plenário ao tocar num tema de suma importância para o movimento sindical: a estratégia de sua luta. “O movimento sindical, por mais combativo que seja, caminha pra um beco sem saída se não adotar uma estratégia anti-capitalista e revolucionária. Mas para isso é preciso manter a independência de classe”, ressaltou.

O representante do que defendeu a completa independência dos trabalhadores aos governos e patrões e lembrou que a fragmentação da classe trabalhadora é sub-produto do apoio de setores da esquerda a governos da burguesia.

“Viemos aqui pra dizer independência. A Conlutas não deve aceitar nenhum centavo do governo. A Conlutas será independente com as mãos limpas”, concluiu.

Representando os setores populares da Conlutas, a representante do MTST, Helena lembrou a importância da jornada de lutas realizada pelo setor no último dia 28. “Vamos recolocar na agenda uma luta com uma perspectiva socialista, da unidade entre o movimento popular e sindical”, disse.

Unidade: uma obrigação

Representando a Intersindical e o Enlace (corrente do PSOL), Emerson Índio também abordou o tema da unidade. Para ele é fundamental a unidade na ação, porém advertiu que é preciso realizar o debate estratégico, sobre qual organização deve se construir. Polemizando com o caráter sindical-popular da Conlutas, Índio defendeu a necessidade da construção de uma central sindical dos trabalhadores.
A luta internacional dos trabalhadores também foi lembrada na abertura. Tatquino Cajamarca, do Congresso dos Povos do Equador, denunciou a criminalização do movimento popular em seu país. Cajamarca agradeceu solidariedade da Conlutas e ressaltou que a entidade foi a única entidade a realizar uma campanha em apoio aos trabalhadores equatorianos.

Encerrado as saudações de abertura, José Maria de Almeida falou em nome da Coordenação Nacional da Conlutas. O sindicalista defendeu o caráter sindical popular da Conlutas e insistiu: “Não haverá libertação dos operários, bancários ou professores, sem a libertação dos setores mais oprimidos de nossa sociedade, como o povo negro”.

Zé Maria também respondeu ao chamados de unidade feita pelos oradores. “Valorizamos muito os companheiros da Intersindical e do PSOL. O momento é de unidade e não de fragmentação e confusão. Como disse um o Índio (da Intersindical), é nossa obrigação avançar na unidade”. Zé Maria reiterou o chamado a unidade com a Intersindical. “Avançar num plano de ação para que possamos construir no ano que vem uma alternativa muito mais forte e maior do que a Conlutas e Intersindical”.