Primeiro ato nacional contra as injustiças da Copa prevê protestos em mais de 30 cidades

Manifestação em São Paulo durante as Jornadas de Junho

Contrariando a ofensiva do governo para dar “tranquilidade” ao evento, as primeiras manifestações do ano indicam: na Copa, vai ter luta!

Neste sábado, 25 de janeiro, uma série de protestos contra as injustiças da Copa do Mundo irão ocorrer no país. Articulados pelas redes sociais, são programados atos em mais de 30 cidades, entre capitais e grandes centros urbanos de norte a sul do país. Em São Paulo, por exemplo, a manifestação será realizada no vão livre do MASP, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, o ato está programado para acontecer em frente ao Copacabana Palace.

Além do horário agendado para os atos, todos às 17h, há muitas outras semelhanças nos protestos que, nacionalmente, marcam o início de um novo ciclo de lutas: eles se enfrentam diretamente com o “legado” que a Copa do Mundo já deixa ao país, antes mesmo de sua abertura oficial.

Até agora, ao contrário do que o governo tenta afirmar, a Copa do Mundo não está trazendo benefícios ao povo brasileiro. Pelo contrário, o que se vê são mortes e exploração nas obras dos estádios; desperdício bilionário de dinheiro público; remoções forçadas das famílias atingidas pelos empreendimentos do evento; criminalização dos movimentos sociais e da pobreza; além de leis de exceção e medidas repressivas que visam garantir à FIFA e às multinacionais que patrocinam o evento uma Copa sem protestos, uma Copa livre de transtornos aos seus negócios altamente rentáveis do megaevento.

É revoltante observar, por exemplo, que apenas 0,06% do custo da reforma dos estádios será custeado pela iniciativa privada. O restante será pago diretamente por governos ou com a inestimável ajuda do BNDES, que oferece juros de 5% ao ano e prestações quase infinitas, de até 15 anos. Ou seja, o governo Dilma e seus aliados estão determinados em garantir uma Copa altamente lucrativa para os grandes empresários, em garantir o uso de recursos públicos para interesses privados. Além disso, a conta da Copa do Mundo apenas para os estádios já está 50,09% mais cara que a previsão inicial. Em janeiro de 2010, o gasto estimado era de R$ 5,3 bilhões. No entanto, até dezembro do ano passado já haviam sido gastos cerca de R$ 8 bilhões.

A verba bilionária despejada para a realização da Copa do Mundo seria suficiente para aumentar significativamente o investimento em educação, saúde, transporte e moradia, bandeiras das Jornadas de Junho ignoradas pelos governos. Para se ter uma ideia do que estamos falando, o custo total com a Copa já supera a casa dos R$ 30 bilhões, mais que o dobro do valor recebido pelo governo federal pela entrega do Campo de Libra, a maior descoberta de petróleo já feita no país (a União recebeu R$ 15 bilhões como bônus pela venda do pré-sal de Libra).

Na Copa, vai ter luta!
Sem nenhuma resposta dos governos a essas demandas, mais do que urgentes, os primeiros atos organizados neste ano demonstram que haverá, sim, mobilização em 2014 e que na Copa vai ter luta. Se existia alguma dúvida sobre a continuidade das mobilizações, o medo generalizado da burguesia e do governo em relação a uma nova onda de protestos comprova que, em relação aos protestos, 2013 não ficou para trás.

É sintomático observar a movimentação da grande mídia que, apreensiva, já diz ao governo como evitar novos “distúrbios”. O Estadão, por exemplo, foi claro em seu editorial de 24 de janeiro ao afirmar que o Governo precisa achar urgentemente o ponto de equilíbrio entre preservar a ordem e deixar aberta a válvula do protesto para prevenir uma reação em cadeia”.

Para preservar a “ordem”, o governo já lançou algumas ações. Os inquéritos policiais que relacionam ativistas com “organizações criminosas” e o projeto de lei que tipifica o crime de “terrorismo” para prender manifestantes são apenas dois exemplos de um vasto arsenal repressivo lançado contra os ativistas para garantir “a Copa da Paz”.

Para nós, do PSTU, cujas forças estarão presentes nas ruas neste sábado, 2014 deve ser um ano em que a “reação em cadeia”deve se alastrar com força ainda maior, derrubando não apenas tarifas de ônibus, mas todas as injustiças sociais que perduram no país e que empurraram milhões às ruas em junho de 2013.