Pré-sal, o último dos moicanos

Remando contra o declínio otimista de -3% da extração dos campos gigantes, está o aumento da demanda mundial por petróleo em 2% ao ano, marcada principalmente pela busca desesperada do crescimento das economias dos Estados Unidos, China e Japão.

Foi a partir de 1993 que a China começou a importar petróleo para ter atendidas as suas necessidades econômicas. Dados de 2006 mostram que a China, em consumo (7,27 milhões de barris por dia), já ultrapassou o Japão (5,22 milhões de barris por dia) e agora é o segundo maior consumidor de petróleo depois dos Estados Unidos (20,59 milhões de barris por dia). Em 2006, a China importou 3,44 milhões de barris por dia e o Japão, 5,1 milhões de barris por dia.

Juntos, Estados Unidos, China e Japão gastam, diariamente, 40% (33,08 milhões de barris por dia) da extração mundial de petróleo (81,73 milhões de barris por dia). Os quatorzes países que extraem diariamente 75% (61,51 milhões de barris por dia) da extração mundial (81,73 milhões de barris por dia) consomem 70% (57,4 milhões de barris por dia) dela. O que sobra diariamente para o resto dos países do mundo é 24,33 milhões de barris (30%). Estados Unidos, China e Japão consomem 54% (33,08 milhões de barris por dia) da extração total (61,51 milhões de barris por dia) diária desses quatorzes países.

Conforme a perspectiva de crescimento econômico de 2% ao ano, Estados Unidos, China e Japão chegarão ao ano 2020 consumindo 41,15 milhões de barris de petróleo por dia. Ou seja, 50% da extração (81,73 milhões de barris por dia) diária atual, se for mantida com a extração de novas províncias petrolíferas ainda para serem achadas em lâminas de águas ultraprofundas do Golfo do México, Brasil e Austrália.

A expectativa é que essas três novas províncias petrolíferas possam recompor a queda da parcela de extração (23,27 milhões de barris por dia a menos em 2020) como consequência do declínio natural de -3% (percentual otimista) dos reservatórios de petróleo do mundo. Assim, os campos que extraem hoje 81,73 milhões de barris de petróleo por dia, extrairão 58,46 milhões de barris por dia em 2020, efetuando um declínio total de -28% durante 10 anos.

Isso significa que Estados Unidos, China e Japão consumirão, sozinhos, 70% da extração diária de petróleo no mundo em 2020, se não houver recomposição da parcela perdida (23,27 milhões de barris por dia) pela extração do petróleo não-convencional de águas ultraprofundas do Golfo do México, do Brasil e da Austrália.

Mantendo a mesma aceleração de crescimento econômico, os onze países restantes, em 2020, exigem 30,53 milhões de barris de petróleo todos os dias. Ora, 30,53 mais 41,15 serão 71,68 milhões de barris de petróleo exigidos por dia em 2020. E a extração diária mundial será de 58,46 milhões de barris por dia, insuficientes para atender à demanda destes quatorzes países. A única saída são os pré-sais de águas ultraprofundas, “o último dos moicanos”.

Essa é a situação crítica que motiva a corrida pelo petróleo não-convencional do pré-sal ultraprofundo do Golfo do México, do litoral do Brasil e da costa nordeste da Austrália. No Brasil, a Exxon-Mobil Corp e a Hess Corp já são donas quase que totalmente do campo de Azulão, localizado no bloco do BM-S-22, na bacia de Santos, na costa litorânea do Estado de São Paulo.

O campo de Azulão está sob lâmina de água de 2.223 metros (7.294 pés) de fundura. A profundidade final dos poços deve ficar em torno de 5 mil metros (16.404 pés). O bloco do BM-S-22 é adjacente ao campo de Carioca, onde já estão a Repsol YPF e BG Group, e está a 40 quilômetros (25 milhas) ao sul do campo de Tupi. Azulão pode ter até 8 bilhões de barris de petróleo. É a maior descoberta das Américas desde 1976.

Em 1968, uma das maiores reservas de petróleo da América do Norte foi achada em Prodhoe Bay, no Alasca, mas a extração foi iniciada somente a partir de 1977 pelas Big Oil Arco e Exxon-Mobil. O campo de Prodhoe Bay, hoje quase que totalmente esgotado, tinha uma reserva de 12,8 bilhões de barris de petróleo.

Prodhoe Bay está localizado a leste do delta do rio Colville, na entrada da baía do mar Beaufort e Oceano Ártico. Os campos adjacentes ao campo de Azulão, e o próprio Azulão, podem ser comparados ao campo de Prodhoe Bay. Enquanto isso, a estrutura geológica que contém o bloco do BM-S-22 é comparável à colossal estrutura de Ghawar na Arábia Saudita.

Para manter o modelo de regime de concessão de FHC e de partilha, um quase bilionário jantar foi concedido ao governo Lula pela Exxon-Mobil nos Estados Unidos.