Por uma política revolucionária frente ao processo venezuelano

`ManifestaçãoEste último ponto nos leva então à segunda questão: qual política devem ter os revolucionários na situação atual. A proposta dos que reivindicam Chávez como um “líder revolucionário”, ou seja, a de seguir como uma sombra de sua política, leva, cedo ou tarde, a uma dura derrota das massas, tal como nos ensina toda a experiência histórica.

Por outro lado, a maioria dos grupos trotskistas, que por sua vez chamam à derrota do golpe militar ou institucional, lhes colocam muitas corretas críticas e exigências. Mas o que nenhum destes setores diz, é que, ao mesmo tempo, há que preparar a derrota de Chávez por parte da classe operária e do povo, para que o processo avance em direção a uma autêntica revolução operária e socialista. Nesse sentido, todos eles terminam capitulando ao governo chavista.

Ao dizer isto, não fazemos mais que voltar às fontes. Ou seja, à posição de Lenin, Trotsky e dos bolcheviques, entre fevereiro e outubro de 1917. Lenin explicava como atuar frente a um governo burguês, em seu caso o de Kerenski, que ainda contava com amplo apoio popular: “Não depositar a mais mínima confiança nesse governo burguês, explicar pacientemente seu caráter e construir uma alternativa de poder da classe que se coloque contra o governo atual e postule um governo dos trabalhadores e do povo”.

Essa foi a perspectiva estratégica que guiou toda sua ação. Em setembro de 1917, diante da tentativa de golpe contra-revolucionário encabeçada pelo general Kornilov, resumiu sua proposta na frase “disparar contra Kornilov apoiado no ombro de Kerenski”. O que significava essa política? Em primeiro lugar, a mais ampla unidade de ação com todos aqueles que estivessem a favor da derrota do golpe, incluindo o próprio governo e as forças que os apoiavam.

No caso venezuelano, se expressa no chamado a votar pelo “Não” no plebiscito, tal como em 2002 foi o chamado para derrotar o golpe cívico-militar. Em segundo lugar, uma política de exigências ao governo, de que ataque realmente os golpistas: que deixe de pagar a dívida externa, que exproprie seus bens e que prenda os responsáveis. Em terceiro lugar, impulsionar a mais ampla auto-organização das massas (aproveitando nesse sentido, processos novos como o surgimento da nova central sindical, a UNT), incluindo a necessidade de seu armamento, para enfrentar o golpe. Em quarto lugar, impulsionar a divisão das Forças Armadas burguesas, para conseguir que seus setores médios e baixos passem para o campo das massas.

Tal como mostrou a própria Revolução Russa, uma política desse tipo não só foi a melhor forma de derrotar o golpe, senão o caminho para preparar o triunfo da revolução operária e socialista. Aprendamos com essas lições e as levemos adiante na Venezuela.
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