Polícia agride mulheres em ato de São José dos Campos

A serviço dos vereadores da Câmara Municipal de São José dos Campos (SP), a Polícia Militar abusou da violência para atacar as mulheres que participavam do ato contra o aumento de mais de 60% autoconcedido pelos parlamentares. Além do envio de uma delegação ao ato de São Paulo, o Dia Internacional da Mulher também foi lembrado com um ato de protesto na Câmara Municipal, que teve à frente as mulheres sem-teto da ocupação Pinheirinho, sindicalistas e militantes do PSTU e do P-SOL.

Após a sessão que durou 20 minutos foi criada uma comissão formada por cerca de 15 mulheres, que apresentaria as reivindicações da população aos vereadores. Mas, além de não receber à comissão, os vereadores usaram a PM e o batalhão de choque para impedir a entrada das mulheres na Câmara. Além dos cassetetes, a polícia usou também gás pimenta e atiraram balas de borracha para intimidar os manifestantes. Mulheres e crianças foram atingidas.

“Nós não vamos nos intimidar. Esse aumento é um absurdo e nós vamos lutar até o fim. A população toda está do nosso lado. Enquanto eles fazem a farra com o dinheiro público, milhares de famílias no Pinheirinho não tem o que comer”, disse a advogada e dirigente do PSTU, Nícia Bosco.

Polícia provoca manifestante e prende quatro ativistas
Como se não bastasse a agressão às mulheres, houve novo confronto no final da manifestação, quando os ativistas já se preparavam para se retirar. A polícia começou a agredir com cassetes um pequeno número de manifestantes (a maioria já tinha se retirado) e depois usou do velho jargão de desacato a autoridade e prendeu quatro ativistas (três sem-teto e um diretor do Sindicato dos Metalúrgicos).
A ação da PM demonstrou abuso de autoridade. “Estávamos indo para casa quando a polícia veio com essa brutalidade“, disse Célio Eduardo, diretor do Sindicato que foi agredido e preso. O Sindicato vai protocolar uma ação administrativa no comando da Polícia Militar para que essa violência contra os trabalhadores não se repita.

Foi a terceira manifestação contra o aumento de 60,5% nos salários dos parlamentares. Na semana passada, lideranças sindicais realizaram atos contra a medida na terça e na quinta-feira.

São Paulo – No ato da capital, a Polícia Militar também recebeu críticas por sua atuação. Ainda em frente ao Masp, uma ativista foi empurrada para que permanecesse dentro das pistas liberadas para a passeata. Revoltada, ela discutiu com os policiais, e foi novamente agredida, com empurrões e um golpe de cassetete. Já na Avenida Consolação, policiais jogaram suas motos sobre os manifestantes, quando estes tentavam ocupar todas as pistas da avenida.

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