Patrão e diretoria perseguem chapa de luta nas eleições do sindicato dos Correios em SC

Direção cutista do Sintect-SC apoia demissão de membro da oposição e impede membro da mesma chapa de fazer campanhaQue os patrões costumam perseguir politicamente os ativistas e líderes de luta da classe trabalhadora, todo mundo já sabe. Mas que a diretoria de um sindicato participe ativamente desta mesma perseguição, aí é de se estranhar, não é?

É o que está ocorrendo nas eleições do Sintect-SC, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Santa Catarina. A Chapa 3, “Mudança Positiva – MP”, composta por líderes de base de todo o estado e encabeçada por defensores da CSP-Conlutas, está sofrendo ataques políticos em sua campanha.

Segundo a gerência estadual da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), consta do acordo coletivo da categoria que funcionários afastados do trabalho por problemas de saúde não podem adentrar os locais de trabalho. Assim, Gilson Vieira, ex-candidato a deputado estadual pelo PSOL e militante da CSP-Conlutas, candidato a secretário geral na chapa 3 e afastado de suas funções por uma lesão, está impedido de fazer campanha nos locais de trabalho.

Caberia a atual diretoria sindical (chapa 1, ligada à CUT) lutar para garantir este direito ao candidato. A mesma diretoria concedeu liberação de direção sindical a cinco membros da chapa 2 (que se diz de oposição, mas também é financiada pela CUT) para fazerem campanha nas dependências da empresa em todo o estado. A comissão eleitoral, presidida por Neodi Giachini, da executiva estadual da CUT e indicado para tal função em comum acordo pelas chapas 1 e 2, também não tomou nenhuma medida. Como se vê, são dois pesos e duas medidas. A CUT detém o controle da atual diretoria e escolhe qual chapa fará “oposição” nas eleições.

Ainda pior é o fato de que Paulo Germano, também membro da executiva da chapa 3, foi demitido por um processo sumário já durante a campanha. Germano é representante sindical de base e está no segundo mandato. Ele tem estabilidade de emprego garantida por lei. Ao recorrer ao advogado do sindicato para que este garantisse o seu emprego, Germano ouviu explicações de que não caberia nenhuma ação judicial e que deveria esperar o final das eleições para recorrer à justiça do trabalho. Ou seja, o patrão demite, e o sindicato concorda, numa aliança perfeita entre a CUT e a gerência da ECT contra a chapa 3.

Germano e chapa 3 moveram, por conta própria, ações contra a ECT e contra a atual diretoria do Sintect-SC junto ao Ministério Público do Trabalho de Blumenau e aguardam a reintegração do companheiro para os próximos dias.