Paralisações, bloqueios de estradas e manifestações no 30 de agosto

    O Dia Nacional de Paralisação sacudiu várias cidades do país, envolvendo as mais diversas categorias que estão em luta, além de estudantes e o movimento popular. Confira o que aconteceu em alguns estados.

    RJ: “Fora Cabral” deu o tom 
     
    Diversas manifestações foram realizadas no estado. Na educação, além das redes que estavam em greve, outras categorias paralisaram, como o Pedro II, o Ines, a UFRJ e a Escola Técnica de Química. Os bancários pararam, até o meio dia as agências da Av. Rio Branco e houve protesto na hora do almoço no principal prédio do Banco do Brasil. Os metroviários também paralisaram 50% dos funcionários do prédio da parte estatal da empresa, em Copacabana. 
     
    Pela manhã, foi realizada uma caminhada dentro da comunidade do Jacarezinho e trabalhadores da UFRJ bloquearam a Linha Vermelha. Os petroleiros fizeram um trancaço nos principais prédios do centro da cidade e no Centro de Pesquisa da Empresa (Cenpes), atrasando o início do expediente por aproximadamente duas horas. Houve, também, concentrações em outras unidades importantes, como o Terminal Aquaviário (TABG) e Edita. 
    Os operários do Comperj, que já haviam realizado paralisações parciais ao longo da semana contra o calote da empresa, também paralisaram suas atividades no dia 30.
    No final da tarde, os trabalhadores e estudantes realizaram uma passeata com mais de duas mil pessoas até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A manifestação, além de incorporar as reivindicações específicas de cada categoria e setor mobilizado, denunciou a política econômica do governo Dilma e deu destaque à luta pelo “Fora Cabral”.
     
    No interior do estado também ocorreram mobilizações. Em Caxias, os petroleiros do Reduc atrasaram a entrada em 1h30min. Em Niterói e Friburgo, ocorreram greves nas redes estadual e municipais de ensino, assim como paralisação nos pólos da UFF e da UFRJ. Em Macaé houve uma operação padrão em Cabiúnas (Terminal de processamento de gás e transferência de óleo operada pela Transpetro), além de greves nas escolas estaduais e municipais e paralisação dos pólos da UFF e UFRJ. Em Nova Iguaçu, foi ocupada a reitoria da Universidade Rural e foi realizada uma passeata no calçadão da cidade. Comerciários fizeram paralisações em lojas que não deram aumento. Em São Gonçalo, trabalhadores da educação estadual e municipal entraram em greve por tempo indeterminado. Os operários do Comperj paralisaram parcialmente. Em Volta Redonda, houve uma greve da construção civil. Em Campos dos Goytacazes, mais de quatro mil trabalhadores da educação fizeram uma manifestação.
     
    BELÉM: Rumo à greve operária  
    Já por volta das 6h30, vários canteiros de obra espalhados por vários pontos da cidade estavam parados. Os trabalhadores da construção civil de Belém aprovaram greve em assembleia realizada um dia antes e se somaram à mobilização nacional. Segundo o vereador Cleber Rabelo (PSTU), a paralisação nos canteiros de obra foi uma prova viva da necessidade que os trabalhadores têm de lutar, não só por pautas econômicas, mas também por pautas políticas. 
     
    “O aumento do salário é importante porque é o que determina quanto nós temos para colocar comida na mesa dos nossos filhos, mas mesmo que conseguíssemos 100% de reajuste seria insuficiente. Nós, trabalhadores, construímos esse país e não podemos usufruir de direitos básicos, como saúde, educação e moradia. É preciso inverter essa lógica!”, afirmou.
     
    Às 9h, estudantes e trabalhadores de diversas categorias se concentraram na Praça da República para marchar até o Centro Integrado de Governo (CIG) e exigir do governador Simão Jatene (PSDB) mais investimentos em áreas sociais. Entre as categorias presentes estavam professores e servidores das universidades federais do Pará, Rural da Amazônia e do Oeste do Pará, trabalhadores em educação das redes municipal e estadual, comerciários, mototaxistas, servidores da Funpapa, Adepará e Iterpa, trabalhadores da Emater, do Detran e da COHAB, bancários, entre outros. Ao todo, no estado, mais de 300 mil trabalhadores cruzaram os braços
    Diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (STICMB) se dirigiram para os municípios de Ananindeua e Marituba para mobilizar a categoria. Os sindicatos destes municípios fecharam o acordo de 9% com a patronal, muito recuado perto da exigência de 16% feita pela categoria.
     
    Com o apoio da diretoria do STICMB e do vereador Cleber Rabelo, a paralisação de duas horas também foi garantida nesses dois municípios. Uma nova assembleia com mais de dois mil trabalhadores foi realizada na qual os trabalhadores revogaram a decisão da assembleia anterior (de aceitar os 9%) e votaram pela greve da categoria a partir do dia 2.
     
    Agora, operários de Belém, Ananindeua e Marituba irão enfrentar a patronal e seus governos, PSDB e PMDB (Jatene, Zenaldo, Pioneiro e Elivan Faustino), prefeitos das cidades que financiam os empresários do setor. Sem contar que estes empresários estão entre os maiores beneficiários do governo Dilma (PT). Só 9% não dá! Queremos cesta básica, já!
     
    BELO HORIZONTE: Paralisação e catraca livre
    Na capital mineira, a Oposição Sindical Rodoviária, apoiada pela CSP-Conlutas e por militantes do PSTU, parou (durante toda a manhã) as duas maiores estações de ônibus da região metropolitana: Barreiro e Diamante. Ambas atendem, diariamente, 148 mil pessoas, com mais de 50 linhas integradas.
     
    A paralisação ganhou massivo apoio popular. Moradores da região realizaram uma marcha e bloquearam a Via do Minério (Av. Waldyr Soeiro Emrich), um dos principais corredores de transporte da região industrial do Barreiro. A mobilização conjunta da população e dos rodoviários conquistou o retorno para casa com catraca liberada nos ônibus paralisados e o prefeito Márcio Lacerda (PSB) foi forçado a conceder uma audiência pública para tratar sobre a paralisia da construção da linha metrô e do hospital municipal na região.
     
    Além disso, os trabalhadores da Santa Casa e os professores das redes municipal e estadual também paralisaram e marcharam pelo centro da cidade reivindicando melhores salários e condições de trabalho. Nos cartazes e nas palavras de ordem, exigiam mais investimento na saúde e na educação públicas.
     
    Em Betim, região metropolitana de BH, o Sindicato dos Metalúrgicos bloqueou a BR 381, atrasando a entrada dos operários da Fiat e de outras fábricas terceirizadas.
     
    Interior de Minas 
    No interior, a mobilização foi marcada por grandes ações dos sindicatos operários ligados à CSP-Conlutas. Em Mariana, a recém eleita direção do Sindicato Metabase (da mineração), convocou os trabalhadores a parar a produção do Complexo Minerário onde operam empresas como Vale, CSN e Samarco. Na região, são extraídos 20% de todo o minério de ferro do país. Metalúrgicos paralisaram atividades durante a manhã em Pirapora, Itaúna, São João Del Rey e Itajubá. 
     
    Em Juiz de Fora, trabalhadores da rede estadual e municipal de educação, trabalhadores sem-terra, metalúrgicos, teleoperadores, bancários, rodoviários, trabalhadores da indústria têxtil e estudantes pararam as duas vias da BR 040 (que dá acesso ao Rio de Janeiro e Belo Horizonte) por mais de três horas.
     
    ARACAJÚ: Bloqueios de rodovias
    No começo da manhã quatro rodovias foram bloqueadas na capital.  Os bloqueios tiveram duração de pouco mais de duas horas.
    Segundo a CONAFER (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), foram fechadas cinco rodovias estaduais. 
    Os petroleiros paralisaram a sede da empresa e no Tecarmo, com grande adesão. Na Universidade federal de Sergipe também, parou suas atividades. 
     
     
    VALE DO PARAÍBA: Paralisações na GM, Embraer e várias categorias 
    A paralisação mobilizou cerca 30 mil trabalhadores no Vale do Paraíba, nas cidades de São José dos Campos, Jacareí, Santa Branca e Caçapava.
    Metalúrgicos, petroleiros, trabalhadores dos Correios, do setor de alimentação, químicos, vidreiros, professores, aposentados e estudantes promoveram greves, paralisações parciais e passeatas ao longo de todo o dia.
    Entre os metalúrgicos, os protestos já começaram no dia 29, com o atraso na entrada dos turnos na Embraer. No dia 30, trabalhadores de outras 24 fábricas fizeram paralisações parciais e greves de 24h, totalizando 27 mil metalúrgicos mobilizados pelo Dia Nacional de Paralisações.
     
    Na GM, a greve de 24h afetou inclusive os funcionários de empresas terceirizadas da montadora. Houve paralisação também na Avibras, Ericsson e Sun Tech. No condomínio industrial das Chácaras Reunidas, houve “arrastão” de assembleias em várias fábricas e bloqueio do principal acesso ao bairro.
     
    Nas regiões de Jacareí e Santa Branca, houve mobilização na Emerson, Parker Hannifin, Inox, Wirex Cable, Volex e Press Mecânica. Em Caçapava, greve de 24h na fábrica composta por mulheres Blue Tech, na MWL e 3C.
    Em várias empresas, as mobilizações foram garantidas com a participação de ativistas da base. Nas fábricas, várias atividades contaram com o apoio da juventude, concretizando a unidade operário-estudantil.
    Além de metalúrgicos, houve paralisações na cervejaria Ambev, em Jacareí; na categoria de vidreiros; agências dos Correios em Taubaté e Pindamonhangaba, e manifestação na Revap, refinaria da Petrobras, em São José.
    Passeatas percorreram as ruas dos centros de São José e Jacareí, onde os motoristas de ônibus também aderiram.
     
    “As manifestações fizeram exigências ao governo Dilma, protestaram contra o PL 4330, que amplia as terceirizações e serviram para impulsionar a campanha salarial dos metalúrgicos. Enquanto nossa pauta de reivindicações não for atendida, continuaremos mobilizados”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.
     
    FORTALEZA: Terminais rodoviários parados 
    Além da adesão de categorias como a da construção civil e do serviço público federal, a paralisação do transporte urbano desencadeou a paralisação das atividades de diversas outras categorias.
    Em todos os terminais da cidade, os ônibus foram parados durante o período da manhã e liberados no início da tarde. 
     
    Essas ações de paralisação foram organizadas pela CSP-Conlutas, com o apoio da militância do PSTU, Consulta Popular e ANEL, como parte do Dia Nacional de Paralisações, convocado pelas centrais sindicais. Entidades da base da CUT e movimento popular se incorporaram ao ato de rua.
     
    Cerca de duas mil pessoas participaram da manifestação, que saiu da Praça da Bandeira, cortando ruas e avenidas até chegar à Prefeitura Municipal. Foi formada uma comissão, com o objetivo de questionar o andamento da pauta de reivindicações entregue no dia 11 de julho. Contudo, alegando que o prefeito não estava presente, a Prefeitura propôs um representante para receber a comissão, o que não foi aceito pelos manifestantes. 
    O 30 de agosto serviu para reforçar que não deve haver nenhuma confiança nos governos municipal, estadual e federal e que, principalmente, segue a disposição de luta da juventude e dos trabalhadores. Em Fortaleza, as entidades que participaram do dia de lutas, agora, se preparam para organizar ações unificadas para o 7 de setembro, quando acontece, em todo o país, o Grito dos Excluídos.
     
    PORTO ALEGRE: Paralisação dos transportes
     
     
    A rotina dos porto alegrenses foi alterada no dia 30. Cedo da manhã, as rádios já noticiavam que poucos ônibus circulavam na capital gaúcha, e que o Tremsurb, metrô que liga Porto Alegre a outras cidades da região metropolitana, estava parado. Ainda era noite quando trabalhadores e estudantes saíram às ruas para mobilizar as paralisações. Os rodoviários pararam e muitas garagens ainda não tinham sua frota toda na rua no final do dia. Os trilhos do metrô foram ocupados por sindicalistas e estudantes, muitos colégios da rede estadual, que já estavam em greve, aderiram mais fortemente ao chamado e também paralisaram suas atividades.
     
    No início da tarde, depois de uma manhã de mobilizações, as centrais sindicais, os partidos, as entidades do movimento estudantil e o movimento social que chamaram o dia 30 se aglomeraram em frente ao Palácio Piratini (sede do governo estadual) para cobrar do Governo Tarso Genro (PT) suas reivindicações. Os professores em greve exigem o pagamento do piso; os estudantes secundaristas, o fim do Politécnico e os indígenas exigem uma posição do governador sobre a demarcação das terras indígenas. Um fato que marcou a tarde do dia 30 foi a dura repressão que os quilombolas e os indígenas, que acampavam em frente ao Palácio do governo, sofreram. As cenas são chocantes, com mulheres, homens e crianças sendo atacados pela tropa de choque da Brigada Militar, que não economizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
     
    Segundo Vera Guasso, presidente do PSTU gaúcho, Porto Alegre, mais uma vez, realizou um grande dia de paralisações neste 30 de agosto. “Estamos acumulando forças para uma grande greve geral que paralise todo o país. Pois desde as jornadas de junho, com a juventude nas ruas e a paralisação nacional de 11 de julho, os governos, a começar por Dilma, passando por Tarso e Fortunati, não querem ouvir a voz dos trabalhadores e da juventude”.
     
    SP: Passeata e trancamento da USP
    Na manhã do dia 30, estudantes da USP organizaram um trancaço na universidade, parando a Avenida Alvarenga, uma das principais da região oeste. Além disso, ocorreu um debate na USP Leste entre funcionários, professores e estudantes para discutir a pauta por mais democracia na universidade. Houve, também, paralisação da ESP (Escola de Sociologia e Política), lutando contra o valor abusivo das mensalidades.
    Ainda pela manhã, operários da região sul tiveram assembleia, seguida de paralisação, e manifestação de rua, parando a Ponte do Socorro.
     
    À tarde ocorreram várias manifestações que convergiram em um ato unificado na Avenida Paulista. O sindicato dos professores municipais, chamou ato na frente da Prefeitura Municipal, com exigências para a categoria; o Sintrajud, com ato em frente ao TRT e Sindsef organizou um ato em frente ao INSS, contra o fator previdenciário. 
     
    Antes do ato sair na Paulista, aconteceu uma Aula Pública, organizada pela Apeosp (sindicatos dos professores da rede estadual). O ato contou com a participação de dois mil trabalhadores e estudantes que, para além das pautas especificas, pediram mais investimentos em transporte, saúde e educação
     
     
     
     
     
     
     
     

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