Para se credenciar na ONU, ABGLT abre mão de direitos gays

Governo fecha acordo com países islâmicos, EUA, Vaticano, e Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros não poderá falar sobre homossexualidadeO Brasil fechou, no dia 17 de outubro, um acordo com os países islâmicos, Estados Unidos e Vaticano para possibilitar o credenciamento da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) no comitê de ONGs da ONU. Esse comitê organizará, no ano que vem, uma conferência sobre discriminação, racismo e intolerância religiosa.

O acordo assinado entre o Brasil e os setores que se opunham ao credenciamento da ABGLBT e outras entidades que pudessem trazer à tona a discussão sobre a violência praticada contra homossexuais, veta que a associação fale sobre a questão da homossexualidade na conferência. A submissão a esta verdadeira “santíssima trindade do conservadorismo”, formada por países islâmicos, como Egito e Irã, os Estados Unidos e a representação do Vaticano, é o último passo numa escalada de absurdos protagonizados pela ABGLT recentemente.

Conciliação e submissão
Primeiro, foi o apoio à repressão policial sobre os companheiros e companheiras da Conlutas e militantes do PSTU e outras organizações de esquerda na Parada do Orgulho Gay e Lésbico de São Paulo. Depois, chamaram votos nos inimigos da classe trabalhadora que se dizem aliados da luta LGBT. Finalmente, e de forma igualmente vergonhosa, apoiaram Marta Suplicy no “deslize” homofóbico no vale-tudo eleitoral em São Paulo.

Como se não bastasse uma postura permanentemente conciliatória, a ABGLT também tem copiado Lula em outra de suas principais práticas: a submissão dos interesses daqueles que diz representar a alianças e acordos espúrios. Assim como Lula, pisoteia a história da luta negra e contra o imperialismo neste continente ao manter uma criminosa ocupação no Haiti, apenas para satisfazer suas pretensões na ONU e seus acordos com Bush. A ABGLT, hoje, sujeita as razões de sua fundação e existência à aceitação pela ONU.

Como se não bastasse o absurdo de se submeter às normas de um instrumento do imperialismo a serviço dos ricos, a associação demonstra que perdeu completamente sua autonomia e independência ao lançar uma nota comemorando seu ingresso na ONU, mesmo com o absurdo veto homofóbico sobre a entidade.

Independência para lutar pela liberdade
Poderia parecer desnecessário, mas em tempos neoliberais é sempre bom lembrar que a própria lógica da homofobia deveria servir para que gays, lésbicas e todos aqueles que têm uma orientação sexual diferente da majoritária aprendessem que o respeito às normas nunca foi uma tática muito inteligente na luta por nossos direitos.

Além disso, para combater a opressão, é necessário que os trabalhadores e trabalhadoras gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais se organizem, mas não na ONU, que é inimiga dos trabalhadores, e sim nas organizações dos próprios trabalhadores e da juventude, ao lado das mulheres, negros e negras e todos os demais atacados, cotidianamente, em seus direitos e modo de vida, por aqueles mesmos com os quais a ABGLT, agora, se orgulha compartilhar relações.

Nós, do PSTU, chamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras LGBTs para construir o GT LGBT da Conlutas, como alternativa de luta, independente dos patrões e dos governos, contra a homofobia e contra toda forma de opressão e exploração. Somente a organização e a luta poderão trazer conquistas reais e concretas para os setores oprimidos.