Para os patrões, cada segundo conta

A fábrica da General Motors em São Caetano (SP) produzia 38 carros por hora em 2006. Hoje, produz 53. O segredo não está no aumento do número de operários ou na modernização. O aumento da produtividade está na pressão para que os trabalhadores produzam mais no menor tempo possível.

Segundo reportagem do jornal Brasil Econômico, o próprio vice-presidente da GM para o Mercosul, José Eugênio Pinheiro (foto), se reúne toda semana com os operários de determinada planta a fim de tirar o máximo de cada funcionário. “Esse é o pulo do gato: conseguir tirar o máximo de cada linha, dispensando novos investimentos”, afirmou o executivo ao jornal. A estratégia do executivo é reduzir em um segundo a produção de um carro na linha. E assim sucessivamente, de segundo a segundo.

Pinheiro se gaba de ter aumentado a produção da GM no Brasil e na Argentina em 150 mil carros por ano, sem qualquer tipo de investimento. Só para se ter uma ideia, a planta de Gravataí (RS), que custou R$ 1 bilhão, faz 130 mil veículos por ano. Isso significa que a pressão em cima dos trabalhadores da GM e o aumento da produção equivalem a uma nova fábrica. Se para a multinacional sai de graça, para os operários essa “nova fábrica” vai custar uma infinidade de doenças ocupacionais.

Redução salarial e banco de horas
Apesar da crise, a GM teve recorde de vendas em 2009. Só não lucrou mais, porque seu estoque não conseguiu atender toda a demanda, já que no decorrer do ano a multinacional reduziu a produção e demitiu, como os 2.500 operários que não tiveram seus contratos renovados na planta de São José dos Campos (SP).

Agora, para correr atrás do prejuízo, a montadora quer promover nova rodada de ataques, mirando os salários e direitos dos operários. Na cidade do Vale do Paraíba, a empresa vem anunciando através da imprensa que vai condicionar novos investimentos à adoção do banco de horas e a redução do piso salarial, repetindo o que tentou em 2008.
Post author GM aumentou a produção no equivalente a uma nova fábrica, pressionando mais os operários
Publication Date