Papa vai enfrentar protestos de feministas

    Na esteira dos mega-eventos realizados no Brasil ocorrerá, entre os dias 23 a 28 de julho, a 28º Jornada Mundial de Juventude (JMJ). Com a expectativa
    de reunir até 2,5 milhões de pessoas, o evento, que vai contar com a presença do Papa Francisco. promete ser uma resposta política às mobilizações
    que tomam o Brasil desde o mês passado. 
    Isso não deve causar estranheza: as jornadas de junho foram tão intensas que mereceram resposta de vários segmentos das classes dominantes. Do
    apoio oportunista da grande imprensa até a manobra do plebiscito de Dilma, a força do movimento gerou algumas tentativas de apaziguar os ânimos dos
    jovens há muito desassistidos pelo poder público. É a vez de a Igreja Católica tentar.
     
    Papa Francisco: grandes mudanças à vista? 
     
    De 1980 até 2013, a Igreja só vem perdendo fiéis no país: se há 23 anos 89% dos brasileiros se declaravam católicos, hoje esse número caiu para 64%. Considerando a população de 15 a 19 anos, a queda entre 2000 e 2010 foi de 15%, enquanto no mesmo período cresceu em 50% o número de jovens evangélicos nessa faixa etária. Isso reflete um fato muito conhecido: a Igreja tem enormes dificuldades de atrair a juventude.
    Em parte, é por isso que Jorge Maria Bergoglio é apresentado como um papa cuja missão seria combater os vícios acumulados na instituição e vêm
    sendo amplamente divulgadas algumas iniciativas para “moralizar” a Santa Sé: há pouco tempo, o argentino formou uma comissão para investigar os casos de corrupção no Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano.  
    Diretor e vice-diretor foram afastados e o contador da instituição preso. O papa também fez mudanças no código penal, endurecendo as penas contra crimes financeiros e a pedofilia, fonte de tantas denúncias contra membros da Igreja. “A Igreja não se governa com Ave-Marias”
    Apesar dessas medidas, a verdade é que a vinda do Papa ao Brasil diz muito mais sobre o conservadorismo da Igreja do que o pretenso discurso de reformas
    deixa ver. E isso em um sentido bastante amplo “A Igreja não se governa com Ave-Marias”, teria dito o falecido Paul Marcinkus, dirigente do banco do Vaticano 
    na década de 1980, envolvido em escândalos de corrupção. De fato, o governo Dilma gastará cerca de R$ 111,5 milhões de reais para custear a visita do Papa. E ainda há os gastos nas esferas estadual e municipal. Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, justificou essa situação afirmando ser impossível realizar um “evento de massas” sem dinheiro público. Sem falar no investimento de inúmeras empresas, como o Bradesco e a Nestlé.
    Como se vê, a vinda do papa Francisco atende a interesses bastante terrenos. E não são os dos trabalhadores e jovens. A juventude e a religião
    Certamente, muitos dos jovens que participaram dos protestos das últimas semanas estarão presentes também na Jornada Católica. Devem ter total  liberdade para professar sua fé, assim como outros jovens devem poder escolher a religião que quiserem ou simplesmente não optar por nenhuma crença desse tipo. Contudo, não se pode ignorar que a JMJ não vai ao encontro das bandeiras levantadas em junho. Afora a questão do investimento público, a luta contra a opressão aos LGBTs, por exemplo, não tem nenhuma resposta que contribua com a luta contra a homofobia. Se é verdade que há grupos católicos  que  hoje debatem o tema, não há dúvidas de que a posição do chefe da Igreja está longe de romper com o seu preconceito tradicional: para o papa Francisco,  o casamento é antes de tudo a “união estável do homem e da mulher”. 
    Assim, o caminho apontado pelas jornadas de junho está bem longe do que apontará esta Jornada Católica. Independentemente das opções religiosas,
    fiquemos com junho. 
     
    Papa vai enfrentar protestos de feministas
     
    visita do papa Francisco também está provocando a reação das mulheres. Na véspera de sua chegada, no dia 21 de julho, as “Católicas pelo Direito de Decidir”, um coletivo de mulheres católicas quedefendem a legalização do aborto,convoca manifestações simultâneasem 14 cidades brasileiras. Entre as reivindicações, estão a legalização  do aborto, o fim do Bolsa Estupro(PLC 478/2007) e o fim do celibato.No dia 27 de julho, a Marcha dasVadias, um coletivo urgido em 2008 contra a violência sexual, organizaráum ato em Copacabana, no Riode Janeiro. Elas querem demonstrarque a juventude tem outras formas de expressão, além da católica, exigir o fim da violência e a liberdade sexualdas mulheres.A Igreja Católica condena o uso decontraceptivos e de camisinhas, pesar do aumento generalizado da contaminaçãopelo HIV. O aborto, mesmo em casosprevistos pela lei, é veemente reprovado,tomado como uma prática assassina. O que contrasta com a realidade, já que a maioria das que se submetem a esse procedimento são católicas e o fazem por necessidade, enfrentando sua própria  consciência.
    A resposta dada pela igreja é completamente    errada, fecha os olhos para suas fiéis e para um grave problema desaúde pública. No Brasil, a cada ano, são  ealizados mais de um milhão de abortos, o que faz dele a quarta causa de morte materna. Não fosse só isso, a bancada religiosa no Congresso é a  responsável pelo PLC  478/2007, o Estatuto do Nascituro, ou, como ficou conhecido, o “Bolsa Estupro”.Esse projeto pretende tornar o aborto crime hediondo e oferecer uma bolsa para que a mulher estuprada gere o filho doestuprador. Isso é um atraso em nossa legislação, que já permite o aborto em 
    casos de anencefalia do feto, gravidez decorrente de estupro e risco de vidapara mãe. É uma forma de penalizar a mulher e não o estuprador.
    O PSTU apóia e se soma a essas  manifestações.
    Estamos a favor de uma política de educação sexual laica e feita pelo Estado, com distribuição de métodos contraceptivos para que as mulheres não engravidem de forma indesejada. E somos favorável à legalização do aborto, para evitar mortes e permitir que as mulheres possam decidir sobre seus corpos

     

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