Pacote de Bush não detém crise financeira

Alarmado com a crise financeira e os sinais de recessão que assombram a maior economia do planeta, o presidente dos EUA, George Bush, anunciou no último dia 18 um pacote de incentivo fiscal de US$ 150 bilhões. A intenção do governo é conceder o equivalente a 1% do PIB com a renúncia em impostos.

Como a medida ainda precisa ser aprovada no Congresso, não foram dados detalhes do pacote anticrise. Sabe-se apenas que será voltado a incentivos fiscais, principalmente às empresas. Segundo Bush, o pacote deve surtir efeito e será temporário. A Casa Branca espera estimular o consumo dos norte-americanos. Bush chamou o pacote de “injeção no braço” da economia norte-americana.

A medida, no entanto, foi recebida com ceticismo pelo mercado financeiro e nem mesmo os colegas de Bush do Partido Republicano acham que será possível debelar a crise. No próprio dia da entrevista coletiva do presidente americano, a Bolsa de Wall Street fechou com queda de 0,49%. A queda foi seguida pelas bolsas européias, mostrando a incapacidade do governo norte-americano de contornar a crise.

Neste dia 21, as principais bolsas do mundo também sofreram forte queda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sofria uma queda de quase 6% até o meio-dia, seguindo a tendência das bolsas européia e asiática.

Os principais bancos, como o Citibank e o JP Morgan, anunciam prejuízo referente aos últimos meses. É cada vez mais unânime a opinião de que a economia norte-americana não enfrenta mais uma crise financeira: já está numa recessão, com inflação, desemprego e queda no consumo.

Perspectiva sombria
O Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa no próximo dia 23, reúne os representantes das principais potências mundiais e vai discutir a crise financeira e a cada vez maior instabilidade dos mercados. O relatório “Riscos Globais 2008”, realizado pelo Citigroup e demais instituições financeiras e de avaliação de riscos, prevêem ainda o perigo do aprofundamento de uma crise alimentar mundial, provocado pelo aquecimento global e pela utilização cada vez maior de áreas agricultáveis na produção de biocombustível.

De qualquer forma, as avaliações de 2008 tornam-se cada vez mais pessimistas.

No Brasil
A realidade vem derrubando a tese de que a economia brasileira passará incólume à recessão norte-americana. O economista Thomas Trebat, da Universidade Columbia, classificou a tese de “conto de fadas” em entrevista à Folha de S. Paulo. Segundo defensores dessa idéia, a economia chinesa e demais países “emergentes” impulsionaria o crescimento no resto do mundo. Porém o economista lembra que “60% das exportações asiáticas vão para os EUA”. Diz, ainda, que “há um prognóstico de crescimento reduzido europeu” e pergunta: “vai sobrar o que para os emergentes”?

O boletim Focus do Banco Central divulgado esta semana, publicou uma pesquisa realizada entre as principais instituições financeiras, prevendo o fim da queda na taxa de juros, o aumento da expectativa de inflação para este ano e um déficit de US$ 5 bilhões em conta corrente, ou seja, vai sair mais dinheiro do que entrar. Para 2008, a estimativa é que esse déficit seja quase o dobro.