Cartaz do filme
Fox Filmes

Em seus quase vinte anos de televisão, a série animada Os Simpsons sempre foi por princípio uma sátira da sociedade norte-americana, da família, da igreja, dos governos, patrões, escolas e de tudo que se possa imaginar. Em sua estréia no cinema, Os Simpsons honram sua história e já começam o filme satirizando o próprio cinema, o que é feito também no desenrolar desta trama.

Neste início de filme, quando a família Simpson vai ao cinema para assistir a Comichão e Coçadinha – o filme, Homer solta: “Não acredito que pagamos para ver no cinema algo que podemos ver na TV de graça!”, fazendo piada não só sobre o cinema, mas principalmente sobre si mesmo e sobre o público.

Outras referências ao próprio cinema vão aparecendo depois, como a cena da banda Green Day afundando no lago Springfield, que cita comicamente as cenas de Titanic. Mas as melhores ficam por conta do novo porco de estimação de Homer, que ora o transforma em “Porco Aranha”, ora coloca-lhe um óculos, incorporando um “Harry Porco”.

Lisa também apresenta o seu Uma verdade irritante, na tentativa de convencer a população da cidade a deixar de poluir o lago local. Homer, claro, vai garantir que tudo dê errado. E esta não é só mais uma gafe, mas, provavelmente, a maior de todas.

Aqui também há críticas à igreja, à doutrina de guerra do governo norte-americano (com Arnold Schwarzenegger como presidente), à cultura racista e homofóbica, ao patriotismo norte-americano. Até o tradicional passeio pai-e-filho de ir pescar foi desconstruído pela família Simpson. Ou mesmo os seriados de TV e os ganchos narrativos de seus finais de temporada, com o famoso to be continued. A própria Fox, canal que exibe a série na TV, também é alvo do humor sarcástico da animação.

A família é, no filme, como na série, uma caricatura do modo de vida norte-americano. Neste ponto, vale lembrar a polêmica gerada pelo episódio que se passa no Brasil, que mostrava macacos e ratos pelas ruas, muita violência e a Amazônia como vizinha do Rio de Janeiro. Naquele, como em todos os episódios e no filme, a visão de mundo da família Simpson é a visão estereotipada construída desde o berço pela sociedade norte-americana. O desenho, nesse sentido, é a caricatura de uma visão de mundo.

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O filme agrada por ser um exemplar maior – em todos os sentidos – dos episódios da série. O tempo de duração é maior que o episódio, a tela é maior, o desastre causado por Homer é muito maior. As risadas também são em maior quantidade e desta vez coletivas. O roteiro foi escrito por um time formado por profissionais que trabalharam na série de TV desde o seu surgimento: James L. Brooks, Matt Groening, Al Jean, Ian Maxtone-Graham, George Meyer, David Mirkin, Mike Reiss, Mike Scully, Matt Selman, John Swartzwelder e Jon Vitti.

Os Simpsons – o filme usa a linguagem cinematográfica sem deixar de ser fiel ao seriado de TV, às características de cada personagem, à estrutura das histórias, às cores fortes, ao humor ácido. Expande a largura da tela (proporção de 2:35 para 1) para enriquecer cenas como a de Bart nu cruzando a cidade de skate. Usa mais planos gerais, com cenários mais detalhados do que no seriado, sejam nas ruas de Springfield, sejam no Alaska. Com a largura da tela cinematográfica, cenas como a visão aérea da cidade ou a da multidão de Springfield reunida ganham dimensão e riqueza, algo impensável na telinha da TV.

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O filme joga também uma pitada de ação e outra de emoção no roteiro para prender o espectador além das piadas. Brinca com os créditos, se aproxima do expectador que está na sala de cinema para fazê-lo rir ainda mais do que em seu sofá. Até o final dos créditos!

FICHA TÉCNICA:
Título Original: The Simpsons Movie
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: David Silverman
Roteiro: James L. Brooks, Al Jean, David Mirkin, George Meyer, Matt Groening, Ian Maxtone-Graham, Mike Reiss, Mike Scully, Matt Sellman, John Swartzwelder e Jon Vitti, baseado em série de TV criada por Matt Groening
Montagem: John Carnochan
Produção: James L. Brooks, Matt Groening, Al Jean, Richard Sakai e Mike Scully
Música: Hans Zimmer
Direção de Arte: Dima Malanitchev
Efeitos Especiais: Rough Draft Studios / Film Roman Productions

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