Os partidos são iguais, mas nem todos

Fazendo a experiência com o governo petista, muitos perguntam: os partidos são todos iguais? É necessário um partido, para quê, se os “políticos” só enganam as pessoas?Já tínhamos a experiência dos Partidos Comunistas no Leste Europeu, que permitiram à burguesia fazer intensa propaganda igualando o socialismo ao stalinismo. Agora, é muito comum ouvirmos que “todos os partidos são iguais”. Uma das conseqüências mais sérias do governo Lula é a transformação da grande esperança no PT em ceticismo em relação aos partidos. Em muitas mobilizações, encontramos ativistas que não querem atuar juntamente com os partidos. Eles têm medo de serem manipulados, manobrados e, ao final, traídos.

A desconfiança é justa

Os trabalhadores, os jovens, têm razão em sua desconfiança. A ruptura com esses partidos tem um caráter progressista. O que existia no Leste Europeu nada tinha a ver com o socialismo. O PT, no governo, implementa a política de FHC, traindo as promessas de campanha e as esperanças das massas.

Caso sejam eleitos Marta, Serra ou Maluf, em São Paulo, o programa aplicado será muito semelhante, ou seja, o do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nas próximas eleições, esses partidos, mais uma vez, vão pedir seu voto e depois traí-lo.

Contra os “políticos”, só uma outra política

Para mudar o que está aí é preciso construir um partido diferente. O ceticismo não constrói uma alternativa. Os que recusam “a política” terminam, sem saber, deixando o campo livre para os mesmos partidos burgueses manterem o país e o mundo exatamente como estão hoje.

Para os que dizem “não me meto em política”, é necessário alertá-los que, se mantiverem esta posição, os políticos se manterão eternamente no joguinho da democracia burguesa: fingem-se de oposição, fazem promessas eleitorais, e depois implementam os mesmos planos que criticavam.

Por isso, é preciso participar politicamente, mas, de outra maneira, para fazer outra coisa.

As eleições não servem para nada… Nem os partidos eleitorais

A “outra maneira” de fazer política é a luta direta das massas. O fundamental é participar das lutas dos trabalhadores, de suas greves, das manifestações estudantis, das ocupações de terras. A participação nas eleições é apenas um ponto de apoio para as lutas diretas das massas.

A “outra coisa” que queremos, é a revolução. Os que desconfiam dos “políticos” de sempre devem ter como objetivo a revolução socialista. Digamos não ao jogo de cartas marcadas da democracia burguesa, no qual a burguesia vence sempre.

A burguesia controla a economia, as grandes empresas, a mídia, podendo manipular e corromper as eleições. Ou ainda atrair, com as vantagens dos cargos do Estado, os partidos de esquerda reformistas, como o PT, domesticando-os completamente antes que cheguem ao governo. Por isso, nas eleições, a burguesia ganha sempre, e os partidos eleitorais também não servem para nada.

Através das eleições, os trabalhadores não vão conseguir emprego, salários, moradia, nem reforma agrária.

Não podemos simplesmente eleger um prefeito, em 2004, ou um novo presidente da República, em 2006. É preciso fazer uma revolução socialista neste país.

O Analfabeto Político
Bertold Brecht

O pior analfabeto
é o analfabeto
político.
Ele não ouve,
não fala,
nem participa dos
acontecimentos
políticos.
(…) 
Ele não sabe que
o custo de vida,
o preço do feijão,
do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato e do
remédio
dependem de
decisões políticas.
Post author Eduardo Almeida, da redação
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