Os desafios do processo revolucionário venezuelano

O processo venezuelano é hoje um dos mais importantes da América Latina. Todos os revolucionários devem estudá-lo, entender como se desenvolve e quais são suas contradiçõesA Venezuela tem uma poderosa indústria petroleira moderna e desenvolvida. A PDVSA (empresa estatal de petróleo) é uma das maiores do mundo, com dezenas de milhares de jovens operários industriais com importante peso no país. Ao ter uma das burguesias mais parasitárias de nosso continente, os outros setores produtivos são bastante debilitados, o que dá base a um alto desemprego, concentrado nas grandes cidades. Estes desempregados e sub-empregados vivem nos cerros, as favelas de Caracas.

A combinação da jovem classe operária com as urbanizações miseráveis nas cidades dá um aspecto explosivo ao processo revolucionário.

A grande contradição é que a direção reconhecida é hoje Hugo Chávez que, apesar de todo um discurso radicalizado, não atua como um elemento dinamizador do processo revolucionário; sua estratégia é negociar um acordo de convivência pacífica com o imperialismo norte-americano.

AS MASSAS TÊM EXPECTATIVAS EM CHAVEZ
Chávez chegou ao poder como fruto da crise institucional gerada pelo “caracazo” em 1989. Atualmente, utiliza uma parte da renda proporcionada com a exportação de petróleo, depois de garantir o pagamento da dívida externa, para medidas assistencialistas que não resolvem problemas estruturais, como criação de emprego e aumento da renda.

Estas medidas combinadas com um discurso de relativa independência frente ao imperialismo geram expectativa e apoio de setores das massas e de seus melhores elementos da vanguarda. Mais ainda depois que muitos setores, da outrora esquerda, capitularam vergonhosamente à política neoliberal, como Lula e o PT.

O problema é que as aparências enganam, e na política não se pode acreditar no que se diz, mas no que se faz.

Quem move a roda da revolução venezuelana são centenas de milhares de ativistas anônimos, nos cerros, petroleiras e siderúrgicas. Chávez, utiliza de seu prestígio para pôr travas nesta roda, postergando os enfrentamentos decisivos. As massas derrotaram o golpe de abril de 2002, o lockout patronal e o referendum imperialista e querem seguir adiante, mas Chávez não.

O projeto “nacionalista-burguês” de Chávez não tem possibilidades de êxito. Por isso, não realiza nacionalizações (como Cárdenas com o petróleo mexicano ou Allende com o cobre do Chile), nem melhoras efetivas aos trabalhadores (como Perón na Argentina).

Na verdade, paga a dívida pontualmente, permanece nas negociações da Alca, continua atraindo as multinacionais para as áreas de gás e petróleo que seguem explorando o patrimônio nacional. Continua oferecendo o “diálogo e o consenso” aos donos das grandes empresas e ao governo Bush. Os setores da burguesia golpista como Gustavo Cisneros e o grupo Polar mantêm seus oligopólios e continuam explorando o povo venezuelano.

A CONCILIAÇÃO DE CLASSES LEVARÁ à DERROTA DA REVOLUÇÃO
O governo está em um momento de alta popularidade, mas isso não durará para sempre. O desgaste provocado pela continuidade das políticas econômicas capitalistas e a dominação imperialista da economia e dos meios de comunicação irão desgastá-lo.

Atualmente, a tática principal do imperialismo não é mais a derrubada de Chávez. Sua política é similar à que utilizou na Nicarágua sandinista: segue com a pressão (como na provocação colombiana), mas aposta estrategicamente em um futuro desgaste eleitoral do governo. Por isso, aceitou o resultado do referendum.

URIBE É O CACHORRO LOUCO DO IMPERIALISMO

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, não contente em ser uma marionete do imperialismo em seu próprio país, resolveu armar uma provocação ao povo venezuelano. Capturou secretamente um importante dirigente das FARCs em Caracas, Ricardo González, com ajuda da CIA e de militares ligados à direita fascista venezuelana.

Frente a esta intervenção afrontosa, Chávez somente chamou seu embaixador e suspendeu os laços comerciais, e já indica que está disposto a conciliar para “superar essa situação”.

Agora Lula está querendo mediar o conflito. Logo Lula que não se pronunciou a favor de Chávez na época do golpe de 2002, não ajudou a combater a tentativa de lockout, montou o grupo dos “muy amigos” da Venezuela com Fox-Bush-Aznar, e declarou apoio ao referendum imperialista. Boa coisa não deve esperar o povo da Venezuela da “mediação” de Lula.

Este ataque de Uribe, que tem a colaboração de Bush, é inaceitável e deve ser repudiado internacionalmente, por governos e organizações.
A exigência é: Fora Uribe e seu governo, todo apoio à luta do povo colombiano.

É NECESSÁRIO CONSTRUIR UMA DIREÇÃO REVOLUCIONÁRIA

Muitos intelectuais e organizações de esquerda estão tomando Chávez como exemplo de um “novo caminho possível” com sua proposta de capitalismo com “distribuição de riqueza”. Outros, que corretamente caracterizam Chávez como nacionalista-burguês, têm uma política de “pressionar para aprofundar as medidas progressistas”.

Tudo isso é um erro, o governo Chávez é burguês e sua política de buscar a conciliação com o imperialismo e com a burguesia golpista irá levar a revolução à derrota.

É necessário construir uma alternativa revolucionária em oposição a Chávez que o derrote e coloque o poder efetivamente nas mãos dos trabalhadores. Só assim o processo revolucionário poderá avançar, tomando medidas como a expropriação das grandes empresas, em especial dos meios de comunicação e a instauração do controle operário na indústria petroleira e a expulsão das multinacionais. Isso só será levado a cabo com um duro enfrentamento. Para isso é necessário aumentar a organização popular e construir e armar milícias populares que se enfrentem com os golpistas fascistas pró-imperialistas.
Post author
Publication Date