Oposições Sindicais enfrentam a CUT e o governo

Em plena crise política do governo Lula, várias categorias importantes estão iniciando sua campanha salarial de 2005. Para se contrapor ao peleguismo da CUT, que tenta segurar as lutas de todas as formas para não desgastar mais o governo, as oposições sindicais da Conlutas mobilizam-se em todo o país, construindo e fortalecendo a Coordenação como uma referência alternativa de lutas.

Bancários:reivindicação rebaixada
A CNB (Confederação Nacional dos Bancários) e a CUT impuseram burocraticamente uma reivindicação rebaixada para a campanha salarial. Por meio de uma conferência realizada com delegados eleitos pelas cúpulas dos sindicatos pelegos, a CNB aprovou a ridícula reivindicação de 11,77% de reajuste. O índice seria referente às perdas de 2004, acrescido de 5% de aumento real.

Além de não ter respaldo na base, a reivindicação ignora as perdas da categoria nos anos anteriores e, num período em que os bancos têm lucros recordes, impõe um índice de reajuste rebaixado. Só durante o governo Lula, o lucro dos bancos cresceu 49,3%, somando cerca de R$ 9,2 bilhões. Já os bancários têm seus salários cada vez mais corroídos. Segundo o Dieese, os trabalhadores dos bancos privados sofrem com 32,97% de defasagem desde 1994. Os do Banco do Brasil, por sua vez, acumulam perdas de 94,72% e os da Caixa Econômica Federal, 106,67%.

A Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito), também ligada à CUT, apesar de propor uma reivindicação um pouco superior, também aplica os mesmos métodos burocráticos e se recusa a discutir a campanha na base. Diante disso, o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) e os sindicatos de Bauru (SP) e de Natal (RN) fizeram um movimento para forçar a criação de outra mesa de negociação, alternativa à CNB e à Contec. A oposição defende a mobilização conjunta da categoria, mas de forma que os bancários do Banco do Brasil, da Caixa ou de qualquer outro banco tenham a possibilidade de discutir reivindicações específicas.
A oposição vem realizando plenárias na base para forçar a realização de assembléias específicas do Banco do Brasil e da Caixa, além de fortalecer a campanha salarial, derrotando a reivindicação rebaixada do sindicato e da CUT. Além disso, luta para que se eleja um Comando Nacional e por um plano de lutas. As duas propostas são tradicionais em qualquer campanha salarial, mas sequer isso a direção da categoria foi capaz de realizar.

Correios: greve dia 13
Outros trabalhadores que estão em plena campanha salarial são os dos Correios. Diante da proposta rebaixada da empresa, de 6% de reajuste, a categoria tem indicativo de greve nacional para o dia 13 de setembro. No dia 10 de setembro, será realizada uma rodada de assembléias em todo o país para definir os rumos da campanha.

A direção do movimento, encabeçada pela Articulação e pelo PCdoB, tenta manobrar uma contraproposta para impedir a greve. No entanto, a proposta da empresa é tão rebaixada que está inviabilizando tal manobra.

PCdoB e PCO contra a greve
No dia 4 de agosto ocorreram assembléias no país inteiro. Devido ao impasse nas negociações, a oposição ligada à Conlutas propôs e aprovou a antecipação da greve, do dia 20 para o dia 10 de setembro. A iniciativa ressoou tanto na base que a proposta acabou sendo aprovada até em sindicatos dirigidos pela Articulação.

No entanto, na Plenária Nacional, nos dias 11 e 12 de agosto, no Rio de Janeiro, o PCdoB, a Articulação e até mesmo o PCO, que permanecem todos na CUT, se juntaram para derrubar a proposta aprovada pelas assembléias. No entanto, devido à enorme pressão da base, exercida até mesmo na plenária, foram obrigados a manter o indicativo para o dia 13 de setembro. Só o PCO manteve a proposta de dia 20.

lutar contra o PT do mensalão
Apesar dos lucros recordes (a empresa teria uma receita líquida anual de R$ 663 milhões), os funcionários dos Correios acumulam uma defasagem de 62,27% nos últimos dez anos. Enquanto isso, a direção da empresa é acusada de desvio de verbas para o governo e o PT pagarem o “mensalão”. Segundo Ezequiel Filho, militante do PSTU, “a proposta rebaixada, com o apoio do PT e da CUT, quer resguardar os lucros da estatal para continuar irrigando a corrupção do governo Lula e garantir o superávit e o pagamento dos juros aos banqueiros”.

A oposição, encabeçada pela Conlutas, luta para derrotar o governo e seu braço no movimento, a CUT. No dia 3 de setembro, haverá uma plenária na sede nacional da Conlutas, na Rua Silveira Martins, 46, na Sé, em São Paulo.
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