Oposição metalúrgica enfrenta pelegos e consegue 37% dos votos no ABC

Luis Marinho, da CUT, consola Feijóo, do sindicato do ABC
Diário do Grande ABC

Em 15 de abril, comemoraram-se os 30 anos em que Lula tomou posse como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A histórica greve de 1978 na Scania deu início ao que ficou conhecido como sindicalismo combativo. Muito diferente do passado, Lula hoje implementa ataques históricos contra a classe e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC passou a praticar um sindicalismo de parceria com as empresas e o governo. Foi contra essa política que, em 12 e 13 de abril, ocorreram as eleições para escolha da diretoria de base do sindicato. A chapa de oposição obteve 37,2% dos votos, conquistando nove vagas para a diretoria da Volkswagen, a
maior fábrica da base, com 10.500 sócios.

Vitória da oposição
Duas chapas disputaram as 25 vagas de diretores que representam a fábrica. A chapa 1, da Articulação Sindical, foi encabeçada por Luís Marinho. A chapa 2, de oposição, foi composta pela Conlutas, setores ligado à esquerda da CUT, independentes e outras correntes. A oposição defendia um programa claro contra a reforma Sindical e Trabalhista, a política de parceria e a entrega de direitos.

A direção da empresa empenhou-se com todas as forças para a vitória da situação. Era comum escutar no interior da fábrica gerentes atacando a oposição, dizendo que o importante era garantir as “exportações” da empresa para se garantir o emprego dos operários. A aliança das direções da empresa com o sindicato identificava o voto na oposição como uma ameaça ao emprego.

A patronal e os pelegos do sindicato tinham um objetivo: evitar que a oposição chegasse ao patamar de 33%, o que lhes impediria de entrar na direção do sindicato. Não conseguiram; apesar de toda a pressão, a chapa alcançou 37,2% dos votos. No setor onde Marinho trabalhava, a chapa cutista, mesmo com todo o apoio da empresa, obteve apenas 28% dos votos enquanto a oposição ficou com 71%.

Irritados com essa derrota, alguns diretores e “seguranças” contratados pela Articulação agrediram, depois da apuração dos votos, alguns membros da chapa 2, militantes da Conlutas e da esquerda da CUT.

Post author Emanuel Oliveira da Silva, de São Bernardo do Campo (SP)
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