Operários da Volkswagen de São Bernardo aprovam greve contra demissões

    Montadoras aumentaram seus lucros com ajuda de recursos públicos destinados pelo Governo Federal

    Montadora demite 800 funcionários no ABC paulista e já afirmou que haverá mais demissões

    Na manhã desta terça-feira, 6 de janeiro, os trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo, região do ABC paulista, decidiram em assembleia iniciar uma greve por tempo indeterminado contra as demissões anunciadas pela empresa aos trabalhadores por carta durante o último final de semana. As demissões foram confirmadas quando os trabalhadores voltavam ao trabalho nesta terça, depois das férias coletivas. As primeiras demissões atingem até agora cerca de 800 trabalhadores mas, de acordo com a própria carta enviada pela empresa, as demissões devem atingir um número maior de empregados.

    A decisão tomada em assembleia pelos trabalhadores da VW é muito importante, pois aponta um caminho correto para o enfrentamento com estas empresas. Trata-se de um abuso absurdo as demissões.

     
    Esta decisão dos trabalhadores da VW é muito importante e podemos estar frente ao primeiro grande fato político no novo governo onde o protagonismo é dos trabalhadores em luta. Trata-se de um acontecimento importante, em primeiro lugar porque sinaliza disposição dos trabalhadores de enfrentar a chantagem e a ganância de lucros destas multinacionais. Em segundo lugar, porque tende a colocar em xeque, de forma mais categórica, todo o discurso do governo do PT.
     
    Além das demissões anunciadas na VW, também a Mercedes Benz em São Bernardo do Campo acaba de demitir cerca de 250 de seus empregados que estavam em Lay Off, sem falar nas demissões que houve no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. A queda de vendas dos carros no ano passado não justifica de forma alguma estas demissões.
     
    Ganância de lucros das multinacionais
    Só de recursos públicos (redução de impostos e outros benefícios), as montadoras de veículos receberam mais de 27 bilhões de reais nos últimos 10 anos, e a justificativa era justamente a “garantia do emprego dos trabalhadores”.
     
    Estas empresas enviaram para o exterior, apenas nos últimos 8 anos, mais de 10 bilhões de dólares em remessa de lucros. Este dinheiro daria para cobrir o salário dos empregados agora demitidos por anos a fio sem que tivessem de produzir um carro sequer. Ou seja, as demissões são fruto apenas da ganância por lucros destas multinacionais, simples assim. O emprego e as condições de vida de milhares de famílias de trabalhadores, sem falar nas outras conseqüências econômicas e sociais destas demissões, são sacrificadas em nome da incessante busca por lucro.
     
    Para além do discurso do governo Dilma, qual será a prática? 
    Dias atrás, a presidenta Dilma assumiu seu segundo mandato falando que faria um “ajuste na economia sem sacrificar os trabalhadores e os pobres”. Já vimos que este discurso foi desmentido por ela mesma ao autorizar os cortes de direitos trabalhistas e sociais anunciados em dezembro ainda pela sua equipe econômica. Mais de 18 bilhões cortados do seguro desemprego, auxilio doença, pensão por morte, etc. E, agora, como vai ser com relação ao emprego? O governo vai permitir, como sempre aconteceu em nosso país, e ao contrário do que prometeu, que o custo da crise econômica recaia mais uma vez sobre as costas dos trabalhadores e dos pobres?

    Nota-se que as demissões, contrariando a propaganda oficial, já estão “correndo solto” em vários setores da economia. Nesta terça mesmo, dia 6 de janeiro, o SINTEPAV da Bahia (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada) denuncia a demissão de 500 e férias coletivas para mais 1000 trabalhadores no Estaleiro Naval Baiano. De acordo com o sindicato, a perspectiva que se apresenta é de fechamento da empresa, com a perda de mais de 3 mil postos de trabalho. No Rio Grande do Sul (Charqueadas), mais de mil trabalhadores foram demitidos na IESA. Estes dois processos, na Bahia e no Rio Grande do Sul, estão relacionados à crise aberta com o escândalo da Lava Jato que deve ampliar-se. Há dezenas de milhares de trabalhadores das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobrás que estão com seu emprego ameaçado neste momento. Em Minas Gerais, as demissões contam-se aos milhares no setor de Ferro Ligas e de Alumínio, além do setor automotivo.
     
    O governo não pode ficar inerte em uma situação como essa. Tem responsabilidade concreta com essa situação, pois trata-se de um problema social grave e o governo tem instrumentos jurídicos e políticos para agir. Os trabalhadores e trabalhadoras de todo o país que votaram na presidenta Dilma já tiveram uma decepção com o anúncio do corte de direitos anunciado pelo governo em dezembro. Esta decepção vai se repetir agora? O governo vai adotar medidas concretas para impedir as demissões? Ou o governo do PT só age quando é para atender as empresas? É preciso sair do discurso para a adoção de medidas concretas.
     
    O governo pode e deve baixar uma medida provisória que proíba as demissões. Se o governo baixou dezenas de medidas provisórias para ajudar as empresas durante todos estes anos, destinando a elas mais de 27 bilhões de reais em recursos públicos, porque não pode tomar uma medida para ajudar os trabalhadores neste momento?
     
    O governo pode e deve estatizar as empresas que insistirem em demitir em massa, e colocá-las sob controle dos próprios trabalhadores, garantindo o emprego de todos. E não apenas no caso das montadoras, mas também das empreiteiras da construção civil que estão demitindo em massa no país. Afinal, quem deve ser punido com o escândalo da Petrobras são os corruptos e corruptores responsáveis por esta situação, e não os trabalhadores.
     
    O governo pode e deve proibir de uma vez por todas a remessa de lucros para o exterior por parte destas multinacionais. Com o dinheiro que é remetido para fora do país, elas poderiam muito bem manter o emprego dos trabalhadores em nosso país.
     
    Esta luta não é só dos operários da VW 
    Os operários da VW estão fazendo a sua parte. Mas a dinâmica desta luta e seu resultado não depende apenas deles. Estão enfrentando uma empresa poderosa, e o governo petista não tem se mostrado afeito a apoiar os trabalhadores nestas situações. Isso sem falar nas já conhecidas posições políticas da direção do seu sindicato.
     
    A diretoria do sindicato defendeu a greve na assembleia, mas ao mesmo tempo fez um balanço negativo da decisão tomada pela assembleia de dezembro em que os trabalhadores recusaram a proposta da empresa e do sindicato que diminuía salário e direitos para manter o emprego. Ou seja, o sindicato continua a defender o seu PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que na verdade é um ataque contra os direitos dos trabalhadores para favorecer a empresa. Vai ser preciso muita firmeza dos trabalhadores da VW. Esta é a primeira razão pela qual é preciso cercar de solidariedade esta greve.
     
    Mas há outra razão que nos leva a dizer que esta luta não é só dos operários desta empresa. As demissões não ocorrem só na VW, atinge também outras montadoras, além de atingir outros setores da industria. É preciso chamar a unidade e adotar iniciativas concretas que permitam unir nesta luta todos estes setores, estendendo a greve para todas as fábricas onde isso for possível. É preciso transformar a luta dos operários da VW em uma luta de todos os trabalhadores das montadoras do país. A primeira responsabilidade em tomar estas iniciativas é do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
     
    A luta é contra as demissões e contra o corte de direitos trabalhistas e sociais
    Além da responsabilidade dos Sindicato do ABC, é fundamental também o papel das Centrais Sindicais que podem e devem ser um ponto de apoio fundamental para este processo. Não só impulsionando a solidariedade de todos os sindicatos do país aos trabalhadores em greve, mas adotando medidas concretas de extensão e unificação da luta. E, na medida em que a luta contra as demissões, pode e deve se somar a luta contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais adotadas pelo governo em dezembro. Esta luta  também é de toda a classe trabalhadora. Este é o esforço central que devemos todos fazer para unir na luta a classe trabalhadora e os setores explorados do nosso país.
     
    Todo apoio a greve dos operários da VW/ABC!
     
    Reintegração imediata de todos os demitidos!
     
    Os patrões é que devem arcar com os custos da crise na economia! Medida provisória que proíba as demissões, já! Estatização de todas as empresas que demitirem em massa!
     
    Os trabalhadores não podem aceitar mais sacrifícios! Exijamos do Congresso Nacional a rejeição dos cortes de direitos anunciados pelo governo!
     
     
     

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