Operários da construção civil de Belém entram em greve e param o trânsito

Operários lotam as ruas de Belém
Wellingta Macedo

Três mil trabalhadores saem às ruas contra a proposta da patronal e resolvem parar a partir desta quarta-feiraOs operários da construção civil tomaram as ruas principais de Belém e mostraram toda a força e combatividade da categoria. Cerca de 3 mil trabalhadores reunidos em assembleia saíram em marcha até à Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), sede do sindicato da patronal. Em frente ao prédio, por unanimidade, rejeitaram a proposta dos patrões e votaram greve geral por tempo indeterminado a partir de quarta-feira, 2 de setembro.

Os operários pararam as principais ruas da cidade numa caminhada bonita e empolgante e que contou com o apoio de outras entidades, como Andes-SN, Asfunpapa e Sintufpa. A campanha salarial da construção civil no Pará é unificada com outros sindicatos, fortalecendo ainda mais a luta dos trabalhadores. Além do sindicato de Belém, estavam presentes os sindicatos de Ananindeua e Barcarena.

Desde a manhã de terça, várias obras na capital paraense começaram a mobilizar-se para a greve. Os patrões, antevendo o movimento, armaram um golpe. Alguns operários não receberam o dinheiro do mês e a produção combinada, uma forma de frear o movimento de greve e conter os ânimos exaltados dos trabalhadores.

Os trabalhadores, contudo, ficaram mais revoltados e a vontade de parar cresceu ainda mais. Alguns operários abandonaram seus trabalhos no meio do dia e foram para o sindicato esperar a assembleia com uma única certeza: greve. Ao longo da tarde foram chegando os ônibus com os operários de várias obras da cidade. De repente, a rua do sindicato estava tomada pelos operários que gritavam: “Greve! Greve! Greve!”.

A caminhada com os operários saiu da frente do sindicato até o sindicato dos patrões para dar um recado aos empresários que insistem num reajuste de apenas 5% agora e mais 2% em janeiro. Cléber Rabelo, da Conlutas e diretor do sindicato, disse que “os trabalhadores não podem aceitar seus salários parcelados”. O sindicato pede um aumento em cima do piso salarial da categoria.

Para se ter uma ideia, hoje um servente de pedreiro ganha R$ 480. Pela proposta da patronal, ele passaria a ganhar R$ 504. O sindicato pede um aumento para R$ 550 por entender que, apesar da crise financeira mundial, os patrões têm condições de garantir um aumento maior, visto que o setor da construção civil no Pará foi um dos poucos que não foram atingidos pela crise.

Além do aumento salarial, o sindicato pede uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no valor de R$ 300, diminuição do percentual de desconto do vale-transporte para 3% e garantia do pagamento do salário do trabalhador acidentado até o recebimento da primeira parcela do INSS.

Nesta quarta, o café da manhã dos operários foi servido no sindicato e já houve piquetes em várias obras para garantir o fortalecimento da greve e a união dos trabalhadores. O sindicato está disposto a negociar com os patrões, porém não esmorecerá nas reivindicações da classe.

Para Márcio Ribeiro Teixeira, operador de guincho da construção civil há 13 anos, a assembleia mostrou que “se não acontecer a greve, os operários não irão conseguir seus objetivos. Ninguém quer ‘grevar´ porque seja irresponsável, estamos sendo forçados pelos patrões a isso. Acredito que nós vamos pressionar os patrões a chegar num aumento maior”.

Os operários encerrarm a caminhada voltando para o sindicato e cantando: “Olêlê, olálá / te cuida patronal que o bicho vai pegar”.