Operários da Comperj retomam greve e enfrentam repressão da PM


Depois de mentir sobre proposta, diretores do sindicato desaparecem. Negociações são realizadas diretamente com os gerentes das obras

Depois de uma razoável proposta da patronal, a greve no Comperj tinha sido suspensa na assembléia realizada na última segunda-feira, 17.  Segundo o sindicato (filiado à CUT), a proposta patronal consistia num reajuste de 9% nos salários e um aumento no benefício de vale alimentação, que passaria de R$ 360 para R$ 410.

O cansaço diante de um sindicato que nos conduz ao esgotamento foi decisivo na votação. Entramos para trabalhar, com aquele sentimento de que podíamos conseguir muito mais. E realmente podíamos.

Contudo, na terça-feira, 18, a “rádio peão” (como chamamos os boatos na obra) corria a todo vapor, espalhando que o sindicato mentiu para os trabalhadores. Não havia proposta alguma. Os telefonemas não paravam. Os boatos aumentavam, mas não escondiam seu fundo de verdade. Os operários começaram mais uma vez a formular uma nova tática de luta.

A patronal se adiantou e soltou uma nota afirmando que não havia de fato feito a proposta assinada e que não iria honrá-la no prazo, que seria na sexta-feira. Na quarta-feira, 19,  a revolta tomou conta dos canteiros. A categoria lançou mão de uma de suas táticas mais radicais e perigosas que é parar por dentro. Um canteiro após o outro foi parando. A peãozada destes canteiros guardou as ferramentas e se concentrou na área de vivência. Ninguém passou para  a área de trabalho. Na CPPR (consórcio das empresas que tocam as obras do Comperj) e na Alusa Engenharia, o levante foi mais forte. Vários carros das empresas foram incendiados, um ônibus queimado foi usado como barricada.

Na CPPR os operários começaram a se armar com os materiais da obra pra enfrentar o Choque que estava chegando e diziam: “lá fora!”.  Na Alusa, que até a semana passada era conhecida por ser o canteiro mais pelego, os peões se entrincheiraram até às 22h. Um dos parceiros da obra contou que até os geradores foram desligados.

Nesta quinta-feira, 20, pela manhã, a QGGI (Consórcio que reúne Queiroz Galvão, Galvão, ENG e IEZA) radicalizou. O portão de acesso à obra foi fechado por um carro da empresa, que foi todo quebrado. Em vários pontos do Comperj o que se via era fumaça e muita polícia. Nesse momento, a Alusa foi cercada pela Tropa de Choque e pelo caveirão, que também entrou.

O sindicato desapareceu!
Existem rumores que alguns dirigentes do sindicato estão foragidos. Agora, os acordos estão sendo feitos direto com os gerentes das obras. Em meio ao processo de negociação, está praticamente acertado que pagaremos apenas quatro dias parados,  o que seria, em nossa opinião, uma grande vitória de uma greve que tem mais de 40 dias. Outra grande força é que as mulheres da cozinha , que são de outro sindicato, resolveram entrar na guerra. O boato de que elas vão parar semana que vem já chegou a todos os operários. Essas trabalhadoras se encontram numa situação ainda pior do que a nossa. Recebem um salário bem menor do que os operários e não possuem os mesmos direitos.

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