Operários aprovam desconto do salário para ajudar haitianos

Um inédito exemplo de solidariedade operária está percorrendo o país. Em uma campanha de solidariedade, milhares de operários estão aprovando em assembleias uma importante ajuda aos trabalhadores haitianos atingidos pelo terremoto.
A campanha em favor da classe trabalhadora haitiana é realizada pela Conlutas e pelos sindicatos filiados. O dinheiro arrecadado será usado para reconstrução das organizações operárias e ajuda direta aos trabalhadores haitianos. O dinheiro será enviado, em caráter de solidariedade de classe, à central sindical e popular do Haiti, Batay Ouvriey (Batalha Operária).

O primeiro depósito enviado à Batay Ouvriye foi de R$ 104.838,65. Uma conta bancária foi aberta exclusivamente para receber doações (veja abaixo).

Exemplo
Em São José dos Campos (SP), a campanha de solidariedade é organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. A campanha recém iniciou e operários de várias fábricas já aprovaram, por unanimidade, a ajuda aos trabalhadores haitianos. Nas assembleias, os operários estão aprovando o desconto de 1% em seus salários para doação ao povo haitiano.

No último dia 9, os trabalhadores da Hitachi e Bundy aprovaram, por unanimidade, o desconto em folha. Na fábrica de autopeças Trelleborg, foi aprovado o desconto em folha de 1% do salário de cada funcionário. O exemplo foi seguido na Mirage, empresa do setor aeronáutico, e na Brascope, do ramo de refrigeração.

Os operários entendem a proposta como um gesto de solidariedade, e não de piedade, de assistencialismo. Essa é a opinião do diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, José Donizetti de Almeida. “A classe operária já é solidária por natureza. Se o vizinho perde a casa, a gente vai lá e ajuda”, disse.

Nas assembleias, os dirigentes sindicais explicam que a ajuda não pode ficar nas mãos de empresários, da ONU, de governos e ONGs, que se parecem cada vez com empresas. “As empresas e governos estão usando o drama dos haitianos, mas querem na verdade continuar dominando o país. A nossa ajuda é diferente da deles. É uma solidariedade de classe, pra ajudar a superar não essa catástrofe, mas a tragédia que é a exploração que sofre o povo haitiano”, concluiu Donizetti. A campanha continua forte e percorrerá mais fábricas.

Contra a ocupação
A ajuda direta às organizações operárias é determinante para a campanha contra a ocupação militar no Haiti. A catástrofe haitiana foi agravada principalmente pelo estado de miséria que é imposto ao país pela superexploração do povo trabalhador.
Por isso, em cada assembleia, os dirigentes do sindicato sempre defendem o fim da ocupação militar do país, e explicam aos trabalhadores que os haitianos devem com suas próprias forças tomarem para si os destinos do seu país. “A tragédia que ocorreu naquele país não justifica a ocupação e o fim da soberania haitiana. Defendemos a independência do Haiti para que seu próprio povo defina suas prioridades e reconstrução do seu país”, conclui Renato.

Campanha cresce em todo o país
Sindicatos e entidades aprovaram doações. O Andes-SN, que representa os professores universitários, aprovou em congresso a doação de R$ 50 mil. Comerciários de Nova Iguaçu darão R$ 10 mil. Em Fortaleza, apesar dos baixos salários na Construção Civil, os trabalhadores aprovaram em assembleia a doação de R$ 1 mil.
Outro importante destaque vem dos operários da construção civil de Belém (PA), que lançaram a “Campanha do R$ 1. Transformar solidariedade em ação”, que arrecadará em cada canteiro de obra R$ 1 de cada trabalhador.

No Amapá, Maranhão e Rio Grande do Norte são promovidos debates, plenárias e programações diversas nos locais de trabalho, com passeatas, atos e pedágios. Todas as medidas denunciam a ocupação militar no país e chamam a solidariedade.
De norte a sul todo o esforço está sendo feito para que esta campanha de solidariedade classista, de trabalhador para trabalhador, continue mobilizando o maior número de pessoas.
Post author Da redação*
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