Operário da construção corre risco de vida nas obras do PAC

Número de acidentes de trabalho é maior nas obras gerenciadas pelo governoA onda de revoltas e mobilizações operárias que chegou a envolver algo em torno de 100 mil trabalhadores da construção civil nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) jogou luz sobre a situação precária nos canteiros de obras em todo o país. É o outro lado do crescimento econômico tão alardeado pelo governo.

Além dos baixos salários e das condições degradantes de trabalho, os operários ainda correm risco de vida. Levantamento realizado pelo jornal carioca O Globo revela a ocorrência de 40 mortes em 21 grandes canteiros de obras do PAC desde 2008. Até março, seis operários haviam morrido em cinco grandes obras do programa.

Responsabilidade do governo
O PAC foi o carro chefe do período final do governo Lula e agora está sendo a principal bandeira de Dilma. Os contratos das principais obras somam R$ 105 bilhões de investimentos, tocados por grandes empreiteiras. Mas os operários não têm sequer sua segurança garantida e são expostos a inúmeros acidentes.

Em 2007 morreram ao todo 319 operários da construção civil em acidentes de trabalho. No ano seguinte, foram 384. E em 2009, 395 trabalhadores perderam a vida. Os casos de invalidez pularam de 755 em 2007 para 1.232 em 2009. Ou seja, o número de mortos e inválidos segue o boom da construção civil nos últimos anos.

As empreiteiras se beneficiam da falta de fiscalização para impor um regime de trabalho árduo e sem as mínimas condições de segurança. O governo, por sua vez, ao invés de aumentar o número de auditores do trabalho, suspendeu para 2011 todos os concursos públicos e as convocações, o que vai aumentar ainda mais esse dramático quadro. É parte dos cortes de R$ 50 bilhões anunciados pelo governo no início do ano.

Enquanto isso, os operários pagam com a vida o descaso nos canteiros de obra. Em 2006, o Ministério da Previdência registrou 39.694 acidentes relacionados a “trabalhadores da indústria extrativa e da construção civil”. Em 2007, foram 40.327. No ano seguinte, 46.274 e em 2009, 46.673. Levando-se em consideração o regime de repressão que vigora nos canteiros e coação, o número real de acidentes deve ser bem superior aos notificados ao governo.

Lucro acima da vida
Se os acidentes de trabalho e a precarização já são constantes nessa categoria tão explorada, causa espanto, porém, a média bem maior de ocorrências nas obras gerenciadas pelo governo. Só na construção da hidrelétrica de Jirau, morreram três operários nos últimos meses. O mesmo número de mortos na usina de Santo Antônio. Nas obras do metrô de Fortaleza, por sua vez, já existem quatro mortos.

Esses números mostram que a vida do operário pouco vale às empreiteiras e ao governo, preocupados com os lucros e os dividendos políticos das grandes obras.

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