O silêncio de Obama e a defesa do massacre

Governantes legitimam ataques de Israel e Obama mantém silêncio. Ao contrário da ajuda aos bancos e empresas, desta vez, “há apenas um presidente”Israel bombardeia sem misericórdia a Faixa de Gaza, causando a morte de 340 palestinos e deixando cerca de 1.500 feridos. O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou que seu país está engajado numa guerra total contra o Hamas, deixando mais clara sua intenção de promover um ataque por terra. A área fronteiriça de Gaza foi ocupada por tanques e declarada “zona militar fechada”.

Frente a tal carnificina, a “comunidade internacional” formada pelos principais países europeus e os Estados Unidos lança apelos a Israel para encontrar uma solução diplomática. Enquanto centenas morriam sob a chuva de bombas, o governo Bush afirmava estar “vigorosamente engajado” para encontrar uma saída. No entanto, todos defendiam o direito de Israel “defender-se” dos foguetes lançados pelo Hamas, o partido que governa Gaza. O porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, afirmou que o responsável pelos bombardeios é o próprio Hamas e exigiu que este deixasse de “lançar mísseis contra Israel” e “respeitasse o cessar-fogo”. Ao mesmo tempo, fez um apelo por uma paz duradoura na região.

Esta verdadeira “cara-de-pau” dos dirigentes imperialistas levou Richard Falk, relator especial da ONU para os direitos humanos na Palestina, a declarar-se “chocado pelo fato da comunidade internacional não estar fazendo mais para pressionar Israel a interromper seus ataques à faixa de Gaza”. Segundo Falk, Israel já estava violando as leis internacionais ao promover o bloqueio de qualquer ajuda humanitária a Gaza, ao punir coletivamente uma população e impedir que esta tenha acesso a alimentos e medicamentos. Quanto aos mísseis palestinos, Falk afirmou que “seria errado igualar as agressões israelense e palestina”. Os foguetes do Hamas causaram a morte de dois israelenses na última segunda-feira, contra centenas de palestinos mortos.

Obama, o candidato e o presidente
Com a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos e o fim da era Bush, uma onda de esperança atingiu o mundo árabe. Um analista sírio afirmou que “Bush falhou e o povo automaticamente esperava por algo mais. Agora as pessoas queimam nos campos mesmo antes de Obama assumir”.

No entanto, o presidente Obama já é bem diferente do candidato Obama. O candidato afirmava que atuaria desde o primeiro minuto para encerrar os conflitos palestino-israelenses, mas o presidente mantém-se em silêncio, de férias no Havaí. Ao serem perguntados sobre a opinião de Obama, seus assessores afirmam que “há apenas um presidente de cada vez”.

Quando a crise econômica estourou foi diferente. Tanto o Obama candidato quanto o Obama presidente atuaram decisivamente para aprovar o pacote de US$ 750 bilhões de ajuda aos banqueiros. Não havia um presidente de cada vez, mas dois, ele e Bush unidos para salvar os capitalistas que passaram anos especulando e enriquecendo às custas das ilusões populares.

Mas tudo indica que as esperanças árabes já eram infundadas, mesmo antes do candidato tornar-se presidente. Durante o período eleitoral, Obama declarou sua “lealdade indestrutível” à segurança de Israel. E durante uma visita a Israel, em julho, Obama afirmou o seu apoio ao direito de “autodefesa” israelense. O jornal ao jornal New York Times reproduziu a declaração de Obama: “Se alguém lançasse foguetes à minha casa onde minhas duas filhas dormem à noite, eu faria tudo ao meu alcance para parar com isso, e eu espero que Israel faça a mesma coisa”.

Israel está fazendo, ao seguir as lições de Barack Obama. Por trás do silêncio do presidente eleito esconde-se, de fato, seu aval para que Israel faça tudo o que estiver ao seu alcance. Seu silêncio é apenas uma tática para que o atual presidente faça o trabalho sujo de “lealdade indestrutível” ao Estado assassino de Israel enquanto ele se prepara, depois de assumir, para ser o construtor de uma nova paz dos cemitérios.

Um sinal de que nada deve mudar na política dos Estados Unidos sobre Israel vem do gabinete formado por Barack Obama. É simbólico que Obama tenha escolhido como chefe de gabinete Rahm Emanuel, um sionista declarado, filho de um militante da Irgún, organização que realizou atentados sangrentos em 1946 contra a população palestina. Emanuel é conhecido no congresso dos Estados Unidos como “Rahmbo” por suas maneiras de se dirigir à bancada democrata. Outro sinal vem da nomeação de Hillary Clinton como Secretária de Estado, cargo semelhante ao de Relações Exteriores. Além de ter votado a favor a invasão ao Iraque, a ex-senadora tem fortes ligações com o lobby sionista nos EUA.

Pelo fim do Estado de Israel
Não partirá, portanto, da boa vontade de um presidente de um país imperialista a solução para uma “paz duradoura” na região. Esta só virá com o fim do Estado que promove a “guerra duradoura” contra os palestinos com o objetivo evidente de ocupar toda a Palestina, mesmo à custa do genocídio de um povo.

Caberá às massas árabes destruir o Estado nazista de Israel e construir uma Palestina laica e democrática na região. Mesmo com toda força militar do país e o apoio dos Estados Unidos isto é possível e já foi demonstrado pelos jovens palestinos que expulsaram a pedradas o invasor de Gaza, em 2005, após 38 anos de ocupação, e pelas massas libanesas e o Hezbolah, cuja resistência derrotou a invasão do Líbano por Israel em 2006.

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