O ‘ranking de beleza’ não é o espaço que as mulheres trabalhadoras querem ocupar nas eleições


“É certo que o fator beleza não deve ser levado em consideração na hora da escolha dos votos, mas é inegável que a propaganda eleitoral gratuita na televisão se torna mais palatável com a presença de belas candidatas. Veja abaixo algumas das mais bonitas mulheres que estão pedindo o seu voto nas eleições 2014”. 
 
Este texto publicado no site da Uol, juntamente como referido ranking de beleza,  reproduz e naturaliza o papel destinado às mulheres na esfera política da sociedade. A exaltação da beleza das candidatas, em detrimento do programa político que estão defendendo, é o reflexo da ideologia machista que aponta que as mulheres, em qualquer espaço, têm como função agradar os homens e satisfazê-los sexualmente. Tal lógica é a mesma reproduzida pela mídia cotidianamente quando atrela a imagem do corpo feminino erotizado a outros produtos como cervejas, carros, motos, sandálias, etc. 
 
Além disso, o machismo impõe uma disputa irracional entre as mulheres na tentativa de atrair os homens por conta dos atributos estéticos, fazendo com que, em vez de nos solidarizarmos umas com as outras, acabemos nos enxergando como inimigas. Nesse sentido, não é possível visualizar esse ranking como algo banal ou despretensioso, já que vai na contramão da luta das mulheres contra a opressão de gênero e reforça a ideologia machista.
 

 
Historicamente. as mulheres travaram árduas batalhas para garantir o mínimo de direitos democráticos, tal como serem consideradas cidadãs e terem o direito ao voto. Garantias proporcionadas, inicialmente às mulheres burguesas. Para as mulheres trabalhadoras os enfrentamentos foram muito mais intensos e seguem até os dias de hoje para combater a violência sexual, física e institucional da qual são vítimas cotidianamente. 
 
Por isso, as mulheres foram maioria nas manifestações que tomaram o país em Junho do ano passado e reivindicaram melhorias na saúde, educação, transporte e segurança pública. Além da exigência de creches e casas-abrigo. 
 
Nossa candidatura reflete essas pautas e se constrói junta à classe trabalhadora que também fez greves e manifestações na defesa de seus direitos. Portanto, para nós o espaço a ser ocupado pelas mulheres trabalhadoras não é o ranking de beleza e sim a construção, lado a lado aos homens de nossa classe, de uma sociedade socialista em que as mulheres não sejam oprimidas, nem limitadas em suas potencialidades, bem como seja superada a exploração capitalista. 
 
Porque bonita é a mulher que luta!
 
Brasília, 23 de agosto de 2014