O que eles dizem e o que eles fazem

Os primeiros 15 dias deste segundo turno mostram que aumentou a polarização entre as candidaturas de Lula e Alckmin. Polarização que contrasta com a tranqüilidade do mercado financeiro. Eles sabem que, independentemente de quem seja eleito, o projeto econômico neoliberal vai continuar.

Geraldo Alckmin é o típico representante da direita tradicional. No segundo turno, o tucano tem batido duro nos escândalos de corrupção do governo Lula e tenta passar a imagem de defensor da “ética na política”. Uma piada de mau gosto, tendo em vista o “gangsterismo” praticado nos governos do PSDB.

Por mais que se esforce, sua imagem está associada ao governo corrupto e entreguista de Fernando Henrique Cardoso, odiado pela maioria. Concordamos totalmente com os trabalhadores que repudiam a candidatura de direita e antipopular de Alckmin.

Lula, por sua vez, não consegue se defender das acusações e sua reeleição continua ameaçada. Até o momento, o governo “congelou” as investigações sobre a origem do dinheiro que comprou o dossiê contra José Serra. A revelação sobre a origem dos R$ 1,7 milhão poderá significar mais um duro golpe contra sua campanha.

É importante dizer que uma derrota eleitoral do presidente será responsabilidade do próprio Lula, que aprofundou o modelo neoliberal de FHC, aliou-se a partidos e políticos tradicionais da direita, praticou a mesma corrupção e varreu para debaixo do tapete a sujeira tucana.

Tentando ganhar os eleitores de Heloísa Helena, Lula resolveu ir mais à esquerda e assumiu um discurso semelhante ao da campanha de 2002. Passou a criticar as privatizações do governo FHC e a dizer que, se Alckmin for eleito, o que sobrou das estatais será privatizado.

Isso não passa de retórica eleitoral. Apoiado no sentimento de milhares de trabalhadores que temem a volta da direita, Lula quer aumentar a pressão pelo voto útil. Mas os últimos quatro anos mostram que há um enorme abismo entre as palavras do presidente e sua prática.

Dedicamos estas páginas do Opinião para mostrar as mentiras repetidas pelos dois candidatos. Na página 8 e 9 discutimos a importância do voto nulo e polemizamos com os setores que defendem o voto no “mal menor”.
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